sábado, 9 de maio de 2015

Monsters of Rock - Porto Alegre

          Saudações, pessoal! Em primeiro lugar, não quero aqui me mostrar ingrato em relação aqueles que se esforçam para trazer grandes eventos para Porto Alegre/RS, possibilitando assim que muita gente que curte algumas das bandas lendárias do Rock/Metal possam conferir de perto seus ídolos. Foi o caso do Monsters of Rock em Porto Alegre dia 30/04/2015. Ozzy, Judas e Motorhead tocando juntos no estádio do Zequinha. Perfeito! Entretanto, ao chegar no estádio por volta das 18:00 horas, sendo que a abertura dos portões estava marcada para as 17:30, deparei-me com uma fila que saia do local onde estava a unica entrada para o evento, contornava a lateral do estádio, se estendia por dois quarteirões, dobrava uma esquina, depois outra e mais outra, e após dar uma volta de uns sete quarteirões, voltava ao local de entrada. Foram três horas de espera aproximadamente até entrar no estádio. Então imagine: Cheguei as 18:00, fiquei até as 21:00 na fila, o Motorhead iria tocar as 19:30, conclusão, só pude assistir Overkill que foi a ultima musica do Motorhead. Algumas pessoas comentaram que durante a apresentação da banda abriram outra entrada para aqueles que chegavam em cima da hora, o que foi um desrespeito para aqueles que pagaram o mesmo valor pelos ingressos e ficaram três horas na fila. Tenho relatos que só teve lotação total após o término do show do Judas Priest.
          Ai eu pergunto: "Será que a organização do evento não se deu conta que cerca de 20.000 pessoas tinham comprado ingressos e que apenas uma entrada não seria o suficiente para colocar essa quantidade de pessoas para dentro do estádio em duas horas?" Na fila, pessoas indignadas e na entrada os profissionais que estavam trabalhando demonstravam certo nervosismo, afinal muitos fãs de Motorhead tinham perdido todo o show da banda que favorita deles. Eu já tinha visto o Judas Priest e o Ozzy em anos anteriores e estrava curioso por ver a banda de Lemmy, mas isso não foi possível. Tive a sensação que havíamos voltado uns 15 anos no tempo, onde ainda éramos extremamente desacostumados com espetáculos dessa grandeza. Ainda não entendo como alguns sites que cobriram o evento não mencionaram nada a respeito disso. "Será que todos estas pessoas que postaram seus comentários da cobertura do show não têm amigos que ficaram mais de duas horas do lado de fora enquanto as bandas tocavam?" Essas mesmas pessoas ficaram alheias aos comentários nas redes sociais.
          Gostaria de falar sobre os shows em si como fiz com o Slash e o Mr. Big com Winger, ambos realizados no Pepsi On Stage, mas não seria justo usar este espaço apenas para elogiar as bandas, sendo que nem assisti a apresentação do Motorhead, e deixar de lado um fato que considero muito relevante no qual eu também fui prejudicado. Claro que não dá pra comparar o tamanho dos eventos. Ou dá? A verdade é que pegou muito mal para a organização do evento todo esse episódio.
          Depois de conseguir entrar no estádio tudo estava resolvido? Claro que não. Nem parar para beber um cerveja e curtir o show do Judas que estava para começar seria possível. Explico por quê. Foram improvisados banheiros na lateral ao lado aposto de onde estava o palco, bem próximo dos locais que estavam vendendo bebida. Em determinados momentos quem entrava para usar o banheiro não conseguia sair e os que estavam tentando entrar acabavam se aliviando pelos cantos mesmo. O local que escolheram para colocar os banheiros químicos acabou se tornando um nojo em algum tempo. Haverá quem diga que faltou respeito por parte das pessoas ou algo assim, mas a verdade é que foi extremamente desconfortável usar a estrutura disponível no local. E pra encerrar os mimimis, a saída estava tensa e algumas pessoas passaram mal enquanto se espremiam tentando deixar o local por onde entraram.
           Os shows. Não pude ver nem ouvir a banda de abertura. O Motorhead tocou Overkill como sempre faz nos últimos 20 anos. Os caras mostravam o mesmo visual clássico da banda, com Lemmy tocando seu baixo como se fosse uma guitarra e Mikkey Dee detonando no bumbo duplo durante toda a música. O cara parece ter uma energia eterna, mesmo com quase 40 anos de carreira. Phill Campbel continua com o visual mais descolado que apresenta a alguns anos e continua tocando como sempre. Talvez o maior trunfo do Motorhead seja o fato deles serem muito fiéis a seu estilo e ao que os fãs esperam deles. Mesmo com toda a polêmica envolvendo a saúde de seu frontman, o Motorhead ainda está por ai, pena que possivelmente não poderei ver a banda ao vivo num show completo novamente.
          O Judas Priest apresentou seu novo guitarrista. Richie Faulkner é um cara seguro e performático que trouxe a banda um contraponto de juventude e energia. Isso acrescentou algo a sonoridade da banda que estava ausente nos últimos tempos com K.K. Downing. Um Judas Priest renovado e apresentando um show perfeito como sempre. Se falta juventude e energia a Glenn Tipton e Ian Hill, sobra segurança em Scott Travis e talento e carisma á Rob Halford. O Judas é a síntese do Heavy Metal em todos os sentidos, velho, poderoso, clássico, espetacular e impressionante. Tocaram diversos clássicos exibindo um timbre matador e usando os telões de forma muito competente. Show perfeito.
          O Madman apresentou um show previsível, embora o fascínio todos fãs pela sua figura, e eu me incluo entre estes, mas musicalmente não vi diferença da performance apresentada no Gigantinho poucos anos atrás. Mais uma vez No More Tears ficou de fora do show, estranho isso, pois pra mim é a melhor composição do Ozzy. Criticar um cara como Ozzy é uma heresia, mas o show poderia ser melhor, com outras musicas inclusas. A ausência de Zakk Wylde sempre vai ser lamentada por mim, pois considero o cara um dos mais influentes guitarristas atuais. Mas Ozzy é uma inspiração mesmo estando longe de ser o cara que era na época do Sabbath e de sua carreira solo até o álbum Ozzmosis.
          Tomara que os problemas de estrutura tenham chegado até a organização do evento e possam ser sanados e os dinossauros do Rock possam continuar lotando estádios aqui no sul do Brasil, pois sei que o publico merece ter a oportunidade de assistir a grandes espetáculos de Rock/Metal já que as bandas médias tem frequentado a região mostrando seus shows em casas menores. Deixando de lado todos os percalços a presença desses três gigantes foi muito bem-vinda. 
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