quinta-feira, 30 de julho de 2015

5 álbuns injustiçados

          Algumas pessoas tem me questionado sobre a forma com que procedo para escolher e falar sobre as bandas quando faço as postagens destes álbuns que indico. Na verdade nem considero indicações, são apenas uma mistura de memórias afetivas e lembranças de discussões com amigos ou críticas de revista ou site sobre esses álbuns. Então fiz algumas recapitulações e ouvi atentamente cada um destes trabalhos para escrever a respeito. Não faço descrição faixa a faixa ou apenas faço observações pontuais, limito-me a contextualizar o momento da banda, a data de lançamento e dou alguma dica que me pareça interessante para estimular a curiosidade de quem for ouvir. A ideia é justificar uma possível audição do leitor para degustar uma receita musical que pode agradar o paladar auditivo ou não. O interessante é a pessoa parar e ouvir com atenção, caso não conheça o trabalho, deixando de lado qualquer tipo de preconceito ou ideia pré concebida. Outra questão muito frequente é sobre o meu gosto musical, já que indico álbuns de Black Metal norueguês, Punk Rock, Hard Rock, Thrash Metal, Death Metal e por aí vai. Na verdade tenho preferência por determinados estilos, mas isso não faz com que eu ignore bons trabalhos das mais diversificadas origens. Também não sou do tipo politicamente correto, uso apenas o meu gosto pessoal como guia. Vez por outra faço concessões para trabalhos não muito legais para meu gosto, mas que reconheço a grande importância.            Depois dessa explicação, vamos as indicações desta semana. Os cinco albuns injustiçados tiveram um reconhecimento posterior até certo ponto, ou simplesmente cairam no esquecimento. Em comum, algumas características podem ser observadas que levaram as bandas a mudarem seu som ou mesmo repensarem suas condições como artistas. As motivações mais relevantes foram troca de integrantes chave ou grande expectativa por parte dos fãs, gerando ansiedade e decepção. Parte destes sentimentos motivados também pela inclusão dos novos integrantes.
Eternal Idol é um álbum quase acidental do Black Sabbath. Começou a ser gravado logo após o término da turnê do Seventh Star, porém Glenn Hughes foi substituído por Ray Gillen, que chegou a gravar os vocais , mas deixou a banda logo após Dave Spitz (baixo) e Eric Singer(bateria) deixarem a banda. Entre indas e vindas, Tony Martin acabou gravando os vocais e seguiu com a banda em turnê. Em 1 de novembro de 1987 saiu Eternal Idol, mais um álbum de uma fase nebulosa na carreira da banda onde apenas Tony Iommi fazia parte do Line Up original, sem Ozzy nem Dio nos vocais. Embora todas essas controvérsias o disco conta com boas musicas como The Shining, Glory Ride e Born To Lose. Nem de longe lembra álbuns como Paranoid, Black Sabbath e Vol. 4, mas não é pior que Technical Estasy, Never Say Die, e até mesmo Seventh Star. Já ouvi pessoas dizerem que este é o pior do Black Sabbath, mas eu citaria no mínimo cinco bem piores que este, que no final das contas é um ótimo disco se analisado isoladamente. No Youtube há várias versões para este álbum, umas até com a versão original gravada por Ray Gillen. Não deixei nenhum link específico porque não encontrei a versão completa do lançamento original e nem um lista completa com todas canções na ordem que parecem no disco.
Native Tongue do Poison é um disco que mistura Gospel, Rithym & Blues e Rock de uma forma quase inimaginável para os fãs. Dizem que o álbum foi inteiramente escrito pelo seu novo guitarrista, Richie Kotzen, que era apenas um jovem na época, mas que contava com grande prestígio da mídia e já apresentava seu trabalho solo. Sendo verdade ou não, o fato é que a contribuição de Kotzen nas composições é imensa. Seus vocais estão presentes em muitas faixas, quase todas do disco, mas o que impressiona é a qualidade de sua guitarra. Diferente de C.C. Deville que investia em arranjos e solos mais diretos e timbres extravagantes, Richie Kotzen é mais minimalista e fez com que a banda apresentasse groove e swing bem diferente de seus álbuns anteriores. Mesmo com os fãs virando a cara, o registro é respeitado pela critica em geral e conta com a simpatia de algumas pessoas que jamais gostaram do Glam Rock do quarteto nos anos 1980. Lançado no dia 8 de fevereiro de 1993, Native Tongue é o ultimo álbum decente da banda que depois viveu de coletâneas caça-níquéis, álbuns solo de seus integrantes e o material inédito é ridículo. Por isso é interessante deixar de lado o visual afeminado dos integrantes e seu histórico por um breve instante e saborear este belo disco.


Motley Crue é outro álbum que é extremamente injustiçado. Foi lançado em 15 de março de 1994. É o sexto disco da banda e o único sem o vocalista Vince Neil, que se aventurou em carreira solo. O que está contido neste álbum é algo que vai muito além do que os fãs do Motley Crue poderiam esperar, e talvez seja esse o grande aspecto negativo de todo o processo. As guitarras são bem pesadas, com arranjos bem elaborados e timbres e efeitos muito bem escolhidos. O baixo está pesado e bem encaixado no contexto das composições. A bateria tem excelente timbre e conta com a pegada rotineira de Tommy Lee. Os vocais são mais intensos e versáteis, coisa que a banda não tinha com o vocalista anterior. Se formos bem criteriosos vamos notar que este Motley Crue se parece muito com o Load do Metallica. Por isso coloquei alguns pontos bem específicos na minha analise do disco do Metallica logo a seguir. Tudo isso mostra a mão do produtor Bob Rock e o direcionamento artístico que ele buscava para as bandas. Repare que 10 anos antes o Thrash Metal criado por bandas como o próprio Metallica foi uma resposta de revolta ao estilo Glam de Los Angeles. Por ironia, na metade dos anos 90 eles andaram tão próximos artisticamente e justamente devido a duas bandas que são expoentes indiscutíveis destes estilos tão antagônicos até então. Talvez esta seja a explicação mais lógica para o certo insucesso dos dois trabalhos. Este álbum foi caro para gravadora que adiantou uma bela grana pra a banda. Ele até chegou a 7° posição na Billboard, mas com certeza foi um fracasso de vendas, tanto é que logo Vince Neil voltou para a banda e eles lançaram o horroroso Generation Swine anos mais tarde.

Load do Metallica: Após o sucesso mundial do disco preto de 1991 e sua longa fase de divulgação, o Metallica teve que lidar com problemas com gravadoras, atritos internos e a grande expectativa de todos em relação ao trabalho seguinte. Seria impossível para banda lançar um disco como o Metallica ou mesmo voltar ao som mais cru e veloz dos primeiros álbuns. Isso porque a banda havia mudado e qualquer coisa que seguisse nesse sentido seria mera forçação de barra. Durante as apresentações entre 1991 e 1994 principalmente a banda mudou de patamar, alcançou novos fãs e explorou ao máximo seu repertório. Agora o Grunge tinha tomado conta de boa parte da mídia e começava a dar sinais de desgaste após a morte de Kurt Cobain. O Metal mais underground focava no Death Metal e no Black Metal. As bandas de Metal e Hard Rock mais tradicionais estavam passando por momentos de dificuldades iguais ou até piores que o Metallica. É justamente nesse ambiente onde Pantera e Sepultura centralizavam as atenções e o New Metal superava a fase embrionária e iniciava sua infância na mídia, que o Metallica lançava o sucessor de seu trabalho de maior sucesso. O que esperar? New Metal? Um álbum preto 2? Uma volta as origens? A resposta foi seca e contrária a todos os prognósticos. Load apresentou a banda com seus integrantes de cabelos curtos e uma capa que apresentava um híbrido de sêmen e sangue. O título poderia sugerir algo mais moderno e tecnológico, mas isso é o que menos se escuta em Load. Lançado em 4 de junho de 1996, o registro apresenta uma sonoridade mais amena, direta e alternativa. Analisando agora, seria um caminho natural abrandar o som e buscar falar de coisas mais intimistas e cerebrais, pois o disco preto apontava para isso. Em termos de produção, Bob Rock e a banda parecem retomar de onde tinham parado, trocando um desgaste nas sessões de gravação do disco anterior, por um clima mais cooperativo e relaxado de Load, embora toda a pressão. Durante o período de gravação, que demorou de maio de 1995 a fevereiro de 1996, a banda trabalhou em solos mais melódicos, trocando as frases velozes por slide guitar já na faixa de abertura Ain't My Bitch. 2x4 mostra um groove mais puxado para um Pantera, porém com uma polida extra na distorção das guitarras. A melodia e o peso arrastado é percebido de forma contundente em The House Jack Built e Until It Sleeps. King Nothing é um tema pesado que poderia estar facilmente entre as musicas do disco preto ou do ...And Justice for All. Hero of the Day é mais comercial, mas tem algumas qualidades nunca apresentadas pelo Metallica em termos de ritmo e contraste. A partir de Bleeding Me o álbum começa e se repetir e a se tornar tedioso pra mim, devido ao seu tamanho, quase 80 minutos divididos em 14 faixas, mas passa longe de ser o lixo que a maioria considerou na época de seu lançamento. Outra coisa que Load mostra claramente é a evolução dos vocais de James. Cantando de forma mais moderada, porém com afinação precisa e timbre polido e bem trabalhado. Todos estes fatores precisam ser avaliados na hora de escutar este trabalho, mas com certeza o resultado ficou muito bom. Talvez nem tanto para os fãs da banda.
Virtual XI do Iron Maiden. Lançado em 23 de março de 1998, este é um álbum peculiar por diversos aspectos. Nesse período Stevie Harris perdeu o pai e divorciou-se. A banda continuava com o vocalista Blaze Bayley, que havia decepcionado grande parte dos fãs no disco anterior. Bruce Dickinson e Adrian Smith tinha voltado a tocar juntos e gravaram boas musicas. O álbum anterior havia sido decepcionante. O Heavy Metal estava passando por seu período mais obscuro e incerto. Entretanto, os investimentos em tecnologia, design e as temáticas futuristas fizeram deste Virtual XI um trabalho muito interessante se analisado individualmente. Há de se esquecer que esta banda gravou The Number of the Beast e Piece of Mind. Aliás, não acredito que este álbum seja tão pior que No Prayer for The Dying, por exemplo. Com certeza é muito melhor do que The X Factor. É um álbum, que no seu formato, lembra um pouco The Number..., cor da capa, formato de 8 musicas, climas instrumentais, mas pára por ai, alguns teclados e sintetizadores lembram coisas do Seventh Son. Ainda é Iron Maiden, sem duvida alguma,porém a ausência de Bruce Dickinson e Adrian Smith nunca foram tão sentidas. A produção, como sempre, é irrepreensível. Eu, particularmente gosto do álbum e acho que é muito fácil dizer que é o pior álbum do Iron Maiden e um dos piores da história do Heavy Metal como já vi muita gente escrever e dizer a respeito. Com o tempo a gente passa a entender certas coisas e perdoar quando as bandas que amamos nos decepcionam. Contudo, se Virtual XI está ali naquele momento em que foi lançado e dentro das condições da época, não tira o valor dos outros álbuns e com certeza não teria como haver algo melhor que ele neste caso.
          Deixando claro que essa é a minha opinião a respeito destas obras. Eu particularmente acho Native Tongue o melhor álbum do Poison, que é uma banda que eu não sou fã, mas simpatizo. Da mesma forma acho que o Motley Crue poderia ter mudado de nome ou lançado o álbum com qualquer nome, mas não com o nome da banda e deveria permanecer mais alguns anos com Corabi nos vocais, musicalmente seria interessante. Quanto ao Iron Maiden, é difícil tecer qualquer crítica devido ao tamanho da banda e sua legião de fãs que se renova a cada dia. Entretanto, a banda sempre trabalhou pesado e apostou alto em seus discos, por isso deve-se ter cuidado ao falar que algum de seus álbuns é ruim sem analisar o contexto. Mas, comparando essas bandas com elas mesmas pode-se dizer que Virtual XI e Load são álbuns regulares e Eternal Idol é uma agradável surpresa devido as circunstâncias. Lembrando sempre que para escutar cada álbum basta clicar no título e será direcionado para um vídeo no Youtube correspondente. Porém, dessa vez não consegui achar publicações completas e decentes de três destes discos, por isso não disponibilizei links para acessar o Youtube e escutá-los na íntegra. Mas vale a pena dar uma bela escutada neles, pode ser uma surpresa agradável.
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