quinta-feira, 2 de julho de 2015

Cinco álbuns importantíssimos de Death Metal

Para mais uma daquelas postagens falando de álbuns que considero interessantes e que eu recomendo, vou falar de cinco álbuns de Death Metal que eu escutei umas 1000 vezes cada um.
Em primeiro lugar gostaria de dizer que por uns cinco ou seis anos o Metal Extremo era quase uma obsessão para mim. Comprava toda e qualquer revista que tivesse uma matéria falando de bandas de Death Metal, Black Metal, Grind Core e Splatter. Cheguei a me tornar radical ao escutar música tal era minha fascinação. Dificilmente ouvia outra coisa a não ser bandas similares as que citarei abaixo. Uma das coisas que me levou a conhecer o estilo foi um vídeo da gravadora Earache que assisti em VHS quando tocava na banda Desaster no início dos anos 90. Nele apareciam várias bandas que pertenciam ao selo que dedicou uma atenção especial ao crescente cenário.
Altars of Madness do Morbid Angel: Foi gravado e mixado no Morrisound Recording em Tampa no estado da Florida. Ele foi lançado no dia 12 de maio de 1989 pela Earache Records. Este é o primeiro álbum oficial da banda, já que o primeiro gravado por eles foi engavetado pela gravadora. O que se ouve é um Death Metal rápido e com frases dobradas de guitarra muito marcantes como em Visions From the Dark Side. A velocidade da bateria é impressionante e fez com que Pete Sandoval fosse alçado a referência nas baquetas do Metal Extremo. A sonoridade verificada em musicas como Immortal Rites e Chapel of Ghouls era única até então. Trey Azagthoth e Richard Brunelle rechearam as composições com guitarras rápidas e cheias de solos velozes enquanto David Vincent urrava suas blasfêmias com um vocal rasgado e rouco. Este álbum foi e ainda é uma grande influência, embora o surgimento de muitas bandas do estilo e as próprias mudanças sonoras e de formação tenham tirado um pouco a banda do topo do estilo que alcançou nos anos 1990. 
Deicide do Deicide: É mais um álbum fantástico e foi gravado no mesmo estúdio Morrisound Recording que o Morbid angel gravou seu Altars of Madness. Lançado em 25 de junho de 1990, este álbum era comparado ao Reign in Blood do Slayer devido a sua importância no cenário metálico da época. Rápido e pesado, apoiado em um marketing pseudo satânico, que fez com que o vocalista e baixista Glen Benton anunciasse que cometeria suicídio aos 33 anos e queimasse uma cruz de ponta cabeça na testa, o Deicide lançou essa obra-prima do Metal. São 33 minutos de músicas intensas e de vocais dementes que podem ser conferidos em Dead by Dawn, Sacrificial Suicide e Carnage in the Temple of the Damned. O álbum abre com o som de portais se abrindo e encerra com eles se fechando. Eric e Brian Hoffman são guitarristas muito competentes e fazem um trabalho perfeito ao misturar peso e agressividade. Steve Asheim completa o time com baterias velozes e precisas que não perdem em nada para Pete Sandoval. 
Necroticism - Descanting the Insalubrious do Carcass: é um álbum que acrescentou melodias Heavy e levadas mais complexas ao Splatter em seu lançamento no dia 30 de outubro de 1991. Sendo o terceiro álbum oficial da banda, foi o responsável pela notoriedade que alcançaram dentro do cenário metálico da época. Eles promoveram sua melhor composição, Incarnated Solvent Abuse, com um clipe meio amador, mas o lançamento do mesmo na mídia fez com que alcançassem uma notoriedade, não tão precoce quanto Morbid Algel e Deicide, mas com a mesma proporção. Corporal Jigsore Quandary é excelente também em um álbum quase que totalmente homogêneo. A banda contava com Ken Owen na bateria, Jeffrey Walker no baixo e nos vocais, Bill Steer e Michael Amott nas guitarras. 
Tomb of the Mutilated do Cannibal Corpsefoi gravado no mesmo estúdio em Tampa na Flórida que os já citados no Morbid Angel e do Deicide, sendo que Scott Burns produziu o Cannibal e a banda de Glen Benton. É inegável a importância da região da Florida para o Death Metal mundial, sendo que sucessivamente as bandas da região gravavam álbuns a cada dia melhores. 22 de setembro de 1992 foi a data de lançamento de Tomb of the Mutilated. Assim como o Carcass, este é o terceiro álbum dos caras. Entretanto, os seus dois antecessores tinham a mesma ou até maior qualidade que este, porém foi aqui que a Metal Blade conseguiu fazer frente aos lançamentos da Eareche. A banda conta com Chris Barnes nos vocais, Jack Owen e Bob Rusay nas guitarras, Alex Webster no baixo e Paul Mazurkiewicz na bateria. As composições possuem o mesmo peso e velocidade comuns as bandas citadas anteriormente, porém o baixo é muito mais presente e trabalhado. A temática das letras vai de encontro ao estilo do Carcass, embora não sejam tão cheias de expressões médicas. O mais notório para a banda são suas capas de um censo estético doentio, mas perfeitamente apropriado para o estilo. 
Individual Thought Patterns do Death: é o álbum mais impressionante da década de 1990 e um dos melhores álbuns de Metal de todos os tempos. Coincidentemente a banda é da Flórida, gravou no Morrisound Studios e teve como produtor Scott Burns. Lançado em 22 de junho de 1993 este é o quinto trabalho da banda de Chuck Schuldiner. Death sempre foi uma banda com certa identidade, mas que foi amadurecendo musicalmente com a passar dos tempos e as mudanças de formação. Neste surpreendente Individual..., Schuldiner convocou Andy LaRocque para guitarra, Stevie DiGiorgio para o baixo e Gene Hoglan para bateria. Se Alex Webster colocou o baixo em evidência no Death Metal, Stevie DiGiorgio utilizou um baixo fretless e construiu linhas e solos que remetem a Jaco Pastorious nos melhores momentos, porém, numa banda de Death Metal. Se a velocidade não é tão intensa quanto nas bandas supracitadas, Gene Hoglan fez levadas tão intrincadas e técnicas que deram ao álbum uma estética jazzística. Letras que remetem ao lado mais obscuro da psicologia humana. Músicas como Overactive Imagination, Jealousy, Nothing is Everything e a fantástica The Philosopher levaram a banda a um outro nível de importância e respeitabilidade que só se comprovaram nos álbuns seguintes até a morte de Chuck no final dos anos 1990. 
A princípio eram estes álbuns que gostaria de apresentar aqui. Gosto muito deles e colocaria entre os 50 álbuns mais legais que já ouvi. É impressionante como a região da Florida pode presentear o mundo com bandas de um estilo tão particular e de uma qualidade acima da média. Death, Cannibal Corpse, Carcass, Morbid Angel e Deicide são bandas essenciais para a sobrevivência do Metal nos anos 1990, época em que o Grunge nascia e se popularizava e que o Thrash Metal ia mal e o Heavy Tradicional estava tão desfalcado ao ponto de Judas Priest e Iron Maiden trocarem de vocalistas. Repare também que os lançamentos dos álbuns foram em anos sequenciais e posso dizer que acompanhei isso quase que em tempo real. Afinal, tudo chegava ao Brasil com um ou dois anos de atraso. Vale uma menção honrosa ao Utopia Banished do Napalm Death, que também tinha muita força na época.
Claro que o Death Metal não nasceu com estes álbuns e também não se resume a estas bandas. Temos o Obituary com seu magnifico e original Slowly We Rot, o Paradise Lost com Gothic, o Pungent Stench, Entombed e as bandas de Black Metal da Noruega. Em determinado momento o Thrash e o Death se fundiram praticamente, apareceram outras derivações. Mas isso já vai muito além do proposto aqui. Ouçam os discos e tenham uma aula de Heavy Metal da maior categoria.
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