quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Iron Maiden - O inicio

         
          Aos fãs de Iron Maiden, não trago nenhuma novidade ou revelação aqui. Porém é justo falar nesse espaço a respeito dessa que é a banda mais popular do Heavy Metal, que eu adoro, diga-se de passagem. Pois o Iron Maiden é daquelas bandas que não dão a mínima se o mercado da música está em crise, pois seus fãs sempre comprarão seus álbuns, suas camisetas e irão a seus shows. E esses fãs se renovam permanentemente, não é difícil ver um jovem de 14 ou 15 anos com uma camiseta da banda. A pergunta que se pode fazer é a seguinte: "Como é possível a banda sobreviver tanto tempo e nunca perder a relevância?" A resposta mais provável é a seguinte, na minha modesta opinião: Steve Harris. Quem teve contato com a banda e até quem acompanha de longe o trabalho de Steve sabe de sua obstinação e persistência. Após tocar em bandas como Gypsy's Kiss e Smiler até a metade dos anos 70, Steve Harris talvez tenha conseguido, por sorte ou competência, descobrir o que exatamente ele queria. A primeira gravação do grupo já sob o nome de Iron Maiden, The Soundhouse Tapes de 1979, gravada no finalzinho de 1978, é uma das demos mais famosas de todos os tempos e as cinco mil cópias lançadas venderam rapidamente durante os giros da banda pelo circuito de bares ingleses. Essa demo e as performances ao vivo da banda renderam um contrato com a gravadora EMI.
Essa demo conta com três musicas: Iron Maiden, Invasion e Prowler e nunca mais foi relançada tornando-se material raro e valiosíssimo para os colecionadores. Dessas gravações participaram: Steve Harris no baixo, Paul Di'Anno nos vocais, Dave Murray na guitarra e Doug Samsom na bateria, para a segunda guitarra em alguns lugares é citado Paul Cairns, mas este não é creditado. Independentemente de quem já tenha passado pela banda até o lançamento do primeiro àlbum de 1980, como Dennis Stratton guitarrista no primeiro disco, a vontade de Steve Harris sempre foi a força motriz da banda.
         
O primeiro disco da banda, intitulado apenas de Iron Maiden é lançado em 1980 no auge do movimento punk. Porém, trás uma banda mais inspirada no rock progressivo dos anos 60 e 70 do que na nova estética de bandas como Ramones, Sex Pistols e The Clash. Solos bem trabalhados, variações de ritmo e temas mais elaborados nas letras fizeram com que o Heavy Metal tomasse um nova injeção de animo e assim nascia a New Wave of British Heavy Metal. Para quem parar para escutar pela primeira vez musicas como Transilvania, Remember Tomorrow e Phantom of the Opera nos dias de hoje, talvez não veja tanto peso ou complexidade no som do Iron Maiden. talvez essa pessoa se questione de onde vem tanta admiração. Entretanto há uma química entre os integrantes do Iron Maiden que gera uma forma de compor simples, mas cuidadosamente polida e lapidada com muito bom gosto. A música do Iron Maiden dos primeiros anos é fruto de suas experiências ao vivo e da convicção de seu líder. Ouvir esse disco do Iron Maiden e o primeiro do Black Sabbath tenho a impressão que já está tudo ali, basta desenvolver e aprimorar. No caso do Iron Maiden houve um desenvolvimento bem maior do que o Black Sabbath, mas não nesse primeiro momento.
          Gosto do Killers tanto quanto de seu antecessor, muito por causa da entrada de Adrian Smith, pois as composições não soam superiores ou mais bem produzidas. Gosto de Wrathchild, Genghis Khan e Murders in the Rue Morgue, mas prefiro Iron Maiden, Prowler, Charlot the Harlot por exemplo em termos de composição. E embora soasse legal, o vocal de Paul Di'Anno trancava a banda de certa forma. Talvez o Maiden jamais pudesse gravar algo como o The Number of the Beast com seu antigo vocalista, tanto por sua voz como por seu estilo mais puxado para o Punk Rock. a produção de Martin Birch fez de Killer um àlbum bom de se ouvir apesar de tudo, tanto é que ele acompanhou a banda em estúdio até 1992. Uma das características de Steve Harris a frente do Iron Maiden é de certa forma manter as pessoas e a metodologia de trabalho do Iron Maiden.
          Da turnê de Killers é gravado o EP ao vivo Maiden Japan e logo depois Paul Di'Anno cede seu posto a Bruce Dickinson, mas isso fica para uma próxima vez. O importante aqui é uma breve reflexão sobre essa fase do Iron Maiden. Para quem acredita que por estar muito mais fácil hoje em dia ter acesso a informação, gravar suas musicas em casa e tal, poderá gravar suas musicas e lamentar porque elas não fazem sucesso mesmo sendo muito mais elaboradas do que as dos álbuns citados, saiba que cada fã do Maiden foi conquistado um de cada vez por algo que somente a banda pode proporcionar. Isso não está em nenhum site ou software, está nas mãos, na mente e nas atitudes daqueles que participaram de cada processo desde o inicio.
          Para encerrar, Iron Maiden é a banda mais correta e linear entre tantas outras. Seus álbuns são diferentes em si, mas é muito difícil que lancem alguma coisa que não tenha a assinatura da banda. Uma banda que sobrevive mais de 35 anos, enfrentando altos e baixos sempre com a mesma elegância merece todo o reconhecimento que tem hoje em dia. Não importa quantas bandas apareçam no mundo, nunca haverá outra banda tão relevante e importante para o Heavy Metal quanto o Iron Maiden tem sido desde que lançou The Soundhouse Tapes.
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