quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Lemmy se foi e não teremos mais o Motorhead

         
          Estava em uma vila interminável no dia 30/04 deste ano que acaba hoje. Como já acompanho os shows em Porto Alegre a alguns anos, mais de 20 para ser mais direto, encontrei muitos amigos e conhecidos naquela noite que tinham o mesmo objetivo, assistir ao evento em que três dinossauros do Rock proporcionariam os últimos momentos de suas longas e dignas carreiras. O Monsters of Rock que passou por Porto Alegre trouxe alegria e decepção. Estávamos todos felizes porque as bandas daquela noite eram geniais. Entretanto a desorganização de quem gerenciava o evento trouxe muita preocupação. Já escrevi a respeito aqui. Entre o pessoal que aguardava o show, vários comentários sobre o cancelamento da apresentação do Motorhead em São Paulo devido a problemas de saúde de seu líder. Conforme o tempo passava e a imensa fila que dava acesso ao estádio não andava, o temor ia tomando conta dos fãs. Seria muito difícil assistir ao show completo de Lemmy e sua banda.
         
Ainda longe da entrada para o evento, podemos ouvir a voz rouca de Lemmy saudar o pessoal que já estava lá dentro. Um misto de vários sentimentos tomou conta das pessoas ao meu redor. Elas sentiam ódio, tristeza, culpa, incredulidade e ansiedade. Eu ouvi o que estava rolando lá dentro de longe e muito entristecido, pois sabia que seria a única oportunidade de ver o Motorhead ao vivo. Cheguei no gramado do Zequinha para assistir Overkill, a última música do show. Muitos que estavam horas na fila sequer viram isto. Mas foi o único contato que tive com o Motorhead e a figura de Lemmy Kilmister. O fato de Lemmy ter morrido essa semana me fez pensar em diversas coisas sobre a vida e a música. Talvez o Motorhead ganhe ainda mais popularidade a partir de agora, afinal as coisas são assim mesmo, é preciso morrer para fazer sucesso junto a molecada de hoje.
          Tive meu primeiro contato com o Motorhead quando ainda era um moleque magrelo e espinhento que andava com os roqueiros mais velhos. Um amigo me mostrou o vinil On Parole de 1976. Sinceramente, não gostei de quase nada no album. Soava sujo, mal gravado e simplório, não entendia como tanta gente bacana que eu conhecia podia gostar da banda. Ai o Sepultura grava o vídeo de Orgasmatron. Por sorte consegui a versão original gravada diretamente do rádio. Era o mesmo Motorhead, mas soava pesado e agressivo. Então a MTV passou alguns clipes da banda como Going to Brazil e Overkill. Aí pude perceber que aquela banda era maior do que eu supunha.
          Em 1993 eles lançam Bastards. Um amigo comprou o disco e eu gravei em uma fita. Até hoje fico surpreso a ouvir o album. Soa pesado e moderno, mesmo sendo uma banda clássica. Ace of Spades foi a cereja do bolo para que eu apreciasse com a devida atenção o trabalho da banda. Não que agora eu ache todos os álbuns muito bons, ou que a banda não tenha musicas fracas. Motorhead não está entre as 20 bandas que eu mais gosto. Porém Lemmy Kilmister sempre vai ser o cara feio, bêbado e carismático que andou sobre a terra durante 70 anos e fez muita gente gostar de Heavy Metal por causa dele. Talvez Ozzy e Lemmy sejam as figuras mais carismáticas do Metal e o estilo deve muito a eles.
         
          Você pode conhecer um pouco da história da banda e de Lemmy clicando aqui, onde Gastão Moreira e Clemente Nascimento fazem um programa dedicado a eles no Heavy Lero. Vou escutar a discografia da banda completa em janeiro em homenagem ao grande Lemmy. Acho que a melhor maneira de homenageá-lo e para um momento para pensar em sua carreira e depois ouvir toda a sua obra. Afinal, Lemmy era apenas um homem, o que o transformou em uma lenda foi sua música. Acho que jamais fez concessões radiofônicas que manchassem a carreira da banda e isso é um mérito que pouca gente merece. Descanse em paz Lemmy e longa vida ao Motorhead.

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