sábado, 16 de abril de 2016

Entrevista com Warren Huart

         
          Essa é a segunda matéria internacional que posto neste espaço, a primeira pode ser vista aqui, porém acredito que essa seja menos exótica, pois ao invés de falar de um mercado não muito comum para o Heavy Metal ou Rock em geral, como o Líbano, entrevistei um produtor inglês e que desde a metade dos anos 90 está trabalhando e vivendo nos Estados Unidos. Falo de Warren Huart, embora não tenha ouvido falar muito sobre ele aqui no Brasil, quem é fã de bandas como Korn, Aerosmith ou artistas como Ace Frehley e James Blunt devem saber de quem se trata, pois o mesmo trabalhou ou trabalha com esses artistas, entre muitos outros. Para quem tiver curiosidade a lista completa está aqui. Warren Huart é um daqueles caras que conhece e é respeitado por artistas e profissionais consagrados e referências mundiais em suas atividades. Em seu canal no Youtube já vi entrevistas com Chris Lord Alge, Billy Sheehan, Stevie Slate, entre muitos outros. Além desses bate-papos, as vezes nos estúdios de trabalho dos caras, ele também passa sua experiência como engenheiro de som e produtor dando dicas de como gravar vocais, guitarras, baixo, bateria, mixar, masterizar entre outras coisas. Seu projeto Produce Like a Pro, visa, segundo ele, compartilhar o conhecimento que lhe foi passado por grandes profissionais ao longo dos anos e que ele mesmo pôde testar e aprimorar nos seus trabalhos. Talvez essa seja uma matéria exclusiva aqui no Brasil, pois ao fazer buscas simples na internet, não me recordo de ter visto nada a respeito dele por aqui. 
         
          Na verdade eu encontrei um vídeo do Warren quando estava atrás de uma interface de áudio e deparei-me com um unboxing e alguns tutoriais feitos por ele em seu canal do Youtube. Me inscrevi e quase que diariamente recebo material novo como videos e postagens no seu blog sobre assuntos muito interessantes para quem é profissional ou apaixonado por áudio e música. Tanto nos vídeos como nos e-mails que trocamos Warren Huart demonstra sempre bom humor, humildade e gentileza britânica. Uma de minhas grandes curiosidades era sobre até que ponto compartilhar todo esse material que ele cria para ensinar novos profissionais, visa o crescimento geral do mercado ou a auto promoção. Acredito que seja uma afirmação da ideia dos profissionais de fora, que se todos se ajudarem elevarão o nível de seus trabalhos e todos ganharão com isso, pois aqui no Brasil a mentalidade é que você precisa "eliminar" a concorrência para se manter vivo em um mercado medíocre. Já entrevistei profissionais daqui e todos começam gravando suas bandas de forma precária e depois vão crescendo profissionalmente e com seus próprios erros. Nos Estados Unidos, por exemplo, já há um Know How bem mais consistente, pois as grandes empresas estão lá, o mercado já está definido e aprimorado e também existe todo esse legado deixado por grandes profissionais e empresas. No bate papo abaixo trago a vocês um poucos das ideias e das histórias desse grande profissional. Espero que gostem.
          Paulo Ramos: _Você é inglês, mas desde meados da década de 1990 vive nos Estados Unidos, certo? Qual é a diferença entre o mercado musical americano e o europeu na sua visão?
          Warren Huart: _Wow! Essa é uma grande questão! Minha experiência de fazer música na Inglaterra é a seguinte: Se eu encontrar um artista, trabalhar ele e fazer algo surpreendente, ele será lançado no mercado. Na América, o processo pode ser mais longo por causa da maior quantidade de pessoas envolvidas nos negócios. O mercado aqui nos EUA é mais rígido e há mais especulações acontecendo. Sendo o maior mercado de música do mundo, é definitivamente menos propenso a assumir riscos. A maioria das produções Pop, em particular, é feita pelo mesmo punhado de pessoas.
          PR: _Fale-me sobre as bandas Star 69 e Dis. Inc. e o que elas representaram na sua carreira?
          Warren Huart: _Entrei para Star 69 em meados de 94. Muito rapidamente, apenas depois de um par de shows, já conseguimos um contrato com uma gravadora chamada Organic Records de propriedade de David Steele. Ele costumava ser o vice-presidente da Virgin Records. Quando Richard Branson vendeu a Virgin e antes que ele abrisse a V2 Records, David começou seu próprio selo. Nós lançamos um par de singles, ambos na Inglaterra. Mas o nosso som era mais estilo americano, tínhamos uma vocalista americana. O baterista Patrick Hannan, (Patch) é um dos meus amigos mais antigos do mundo, ele também foi o baterista da Sundays. Decidimos nos mudar para a América para fazer uma gravação com Don Smith, de quem eu era fã porque ele tinha gravado com o Travelling Wilbury de Tom Petty e naquele tempo tinha acabado o álbum Kerosene Hats do Crackers, que é uma obra-prima de produção. Eu estava muito animado para trabalhar com ele, infelizmente Patch estava prestes a gravar novamente com o Sundays em 95 e não poderia vir com a gente. Para mim se mudar para Los Angeles para fazer um álbum foi uma experiência de aprendizagem extremamente importante. Don Smith (que morreu há alguns anos) foi um dos maiores engenheiros que já viveu, através do trabalho com ele no álbum Star 69 eu aprendi muito. Ele foi o primeiro engenheiro que vi usar uma Neve Sidecar equipada com 1073, naquele ponto, por volta do final dos anos 80 a meados dos anos 90, todo mundo estava trabalhando em SSL, o regresso ao som clássico de prés e compressores vintage, que nós temos como clássicos agora , mas que ainda não eram reconhecidos. Então, Don estava usando equipamento vintage antes de isso estar na moda. Ele tinha compressores Fairchild nos vocais, tinha U47s quando todo mundo estava usando equipamentos novos, e ele era incrivelmente talentoso. Don iria passar horas buscando o melhor som da bateria, certificando-se se a borda da caixa estava afinada com a música, sua atenção aos detalhes era incrível!
         
Em 1998 eu comecei uma banda chamada Disappointment Inc. Em nosso primeiro show no Linda' Doll Hut em Anaheim, um olheiro da Time-Bomb Records de Jim Guerinot nos viu e assinamos com Jim. Levamos nossas demos que tínhamos feito em ADAT para Dave Jerden, outro grande produtor e engenheiro que eu admirava, e sua reação foi "suas demos são tão boas, por que eu iria gravá-las novamente?", que foi muito honesto da parte dele e me fez gostar mais dele ainda! Mas a nossa gravadora queria levá-las ao próximo nível, por isso regravamos e nós o fizemos com uma combinação de todos os membros da banda mais as  muito talentosas habilidades de Dave Jerden na produção e a engenharia surpreendente de Bryan Carlstrom e também Annette Cisneros, um grande engenheiro de Pro Tools. Foi uma grande experiência para mim. Fui de um grande produtor/engenheiro para outra dupla de grandes engenheiros e produtores em dois anos fazendo álbuns. Eu estava sendo verdadeiramente abençoado por poder trabalhar com essas pessoas de nível mundial. Dave Jerden fez "Future Shock", de Herbie Hancock. Ele fez "Remaining Light" do The Talking Heads com Brian Eno. Então, estar na sala com ele e ser capaz de lhe fazer perguntas foi incrível. Sem mencionar que ele também produziu álbuns do Alice in Chains, Jane's Addiction e Rolling Stones. Então, estar ali com Don Smith e perguntar-lhe sobre o vocal de Bob Dylan, ou o timbre da guitarra de George Harrison são coisas de valor inestimável. Comecei o Produce Like a Pro para repassar essas informações porque eu não acho que você possa mais ter essa experiência nos dias de hoje.
          PR: _Você já trabalhou como engenheiro de som e produziu vários nomes de diferentes estilos musicais e até mesmo fez trabalhos para a séries de TV. Você geralmente trabalha de acordo com o artista e o tipo de trabalho ou você foi mudando sua metodologia conforme foi ganhando experiência? Como costuma organizar seu trabalho?
          WH: _O trabalho de um produtor é facilitar uma grande gravação. Eu usei esta citação muitas e muitas vezes e eu vou usá-la novamente. Ha Ha! Dave Jerden uma vez me disse: "às vezes você tem que re-escrever a música inteira, alterar o arranjo, a tonalidade, o ritmo, tudo, até mesmo a instrumentação. Outras vezes você só tem que ficar fora do caminho do artista e ajudá-lo a fazer uma grande gravação ". Não há apenas uma maneira correta de fazer determinada coisa. Mas ainda assim, o conhecimento acumulado que você tem de trabalhar com grandes quantidades de talentosos artistas ao longo dos anos ensina você a consertar as coisas quando precisam ser corrigidas e não corrigi-las quando eles não precisam ser consertadas. Uma das questões que as pessoas se queixam de música moderna, e eu tenho que concordar com elas, é que um monte de produtores fazem música de acordo com um conjunto de habilidades limitadas. Então, se eles são realmente bons engenheiros de Pro Tools  e eles sabem como por tudo perfeitamente no tempo e todos os sons afinados, isso é uma coisa que pode usar para fazer uma gravação. Mas para fazer um grande disco isso é apenas uma parte das habilidades que você precisa. Para ser um grande produtor você precisa saber fazer as coisas mais quantizadas e afinadas apenas se for necessário.
          PR: _É notório que muitos profissionais experientes estão investindo em blogs, cursos on-line e outras formas de compartilhar os conhecimentos adquiridos durante suas carreiras, por exemplo  temos: New Model artist de Dave Kusek, Ken Tamplin Vocal Academy, entre outros. Isto é realmente para o benefício da música e do conhecimento ou é vaidade e / ou uma maneira diferente de explorar o negócio da música? Fale sobre o Produce Like a Pro, que eu acompanho. Qual é o objetivo do projeto e como surgiu a ideia?
          WH: _Quando eu comecei o Produce Like a Pro foi muito importante para mim não colocar o meu nome no título. Não é sobre mim, é muito maior do que isso, porque Produce Like a Pro, neste um ano e meio desde que eu comecei, está crescendo como uma comunidade on-line maravilhosa. O  único objetivo do Produce Like a Pro é criar uma comunidade de profissionais que tem a mesma opinião: produtores, engenheiros, compositores, mixadores e até mesmo executivos que podem ajudar uns aos outros partilhando as suas experiências. A finalidade do Produce Like a Pro Academy por exemplo, é criar um lugar seguro onde eu mesmo posso enviar a minha pior mixagem de um som e discutir com as pessoas sobre como melhorar aquilo. Minha jornada, como eu aprendi, sendo primeiro um fã de música, em seguida um compositor-músico que se tornou um produtor e engenheiro, me fez perceber que a forma tradicional de chegar no negócio da música, indo para a escola de música ou entrar em um enorme estúdio, em seguida, tornando-se um estagiário, então assistente, e em depois engenheiro e produtor, estava viciada. Esse caminho foi se tornando menos e menos eficaz. Eu estava pegando estudantes recém saídos da escola e a eles foram ensinadas todas estas formas de fazer as coisas que realmente não se relacionam com situações da vida real. Os estúdios tradicionais quase não existem mais. Sei que existem pessoas que vivem em pequenas cidades no meio da América, e em todo o mundo, que não têm acesso a grandes estúdios, escolas caras e outras formas de aprender essas coisas. Então o Produce Like a Pro foi projetado para ajudar a todos. Estou muito feliz que na Academia muitos dos membros são produtores muito ativos e bem-sucedidos por conta própria e somos capazes de aprender uns com os outros. Eu, pessoalmente, aprendo muito com eles todos os dias, tanto é que eu estou investindo mais e mais tempo no projeto para desenvolvê-lo ainda mais.
         
          PR: _No Brasil alguns profissionais de áudio fazem o mesmo tipo de compartilhamento de informações de seus trabalhos, mas é para preencher uma lacuna, uma vez que não existem programas específicos ou grandes trabalhos profissionais com uma estrutura eficiente. Estamos muito atrasados em termos de produções de qualidade e de mercado, se comparado a outros lugares do mundo. Mas nossos músicos são muito talentosos e alguns reconhecidos mundialmente como Tom Jobim, Sepultura, etc. Como você  vê isso estando de fora do Brasil, ou não vê?
          WH: _A cultura brasileira, seja ela no futebol, dança ou todas as outras artes, é muito, muito poderosa! Vindo da Inglaterra nós temos uma impressão muito forte sobre os brasileiros. Quer se trate de Pelé ou apenas o futebol em geral, o Carnaval e, claro, uma cena de música latina vibrante. Estes são todas demonstrações incríveis de potencial! Eu acho que, se eu fosse brasileiro, tendo essa vasta cultura, e como você disse, talento incrível, eu não iria medir meu sucesso com outros países. Especialmente quando muitos dos outros países não têm essa força cultural.
          PR: _O final dos anos 1980 e início de 1990, é uma referência de qualidade na produção musical, pelo menos para mim e para outros que eu converso. Hoje álbuns daquela época ainda soam superiores em termos de desempenho e produção. Deixando o lado do romantismo, é claro, você acha que a revolução tecnológica tem prejudicado a qualidade da música produzida? É muito mais fácil trabalhar com computadores e simuladores do que fazer produções mais "vintage"? Nota: Por que Metallica, Aerosmith, Bon Jovi, etc. soavam melhores há 20 anos?
          WH: _Eu acredito fortemente que a criatividade é a coisa mais importante, independente da época. Se você ouvir "Royals" do Lorde, não há nada nessa música que não poderia ter sido feito em qualquer formato, qualquer DAW, fita, cassete, etc. Não há nada de difícil em termos de produção, é apenas uma música maravilhosa com o mais importante, um incrível vocal e uma letra maravilhosa. Assim, independentemente da tecnologia moderna, a criatividade ainda reina soberana. A revolução digital tem permitido um monte de gente ser capaz de fazer música, ela nivelou o campo de jogo para que qualquer pessoa com algumas centenas de dólares tenha acesso a uma quantidade incrível de opções. Existem recursos de edição incríveis e há uma enorme quantidade de Plugins disponíveis para nós fazermos mixagens maravilhosas! Quando antes, há 20 anos, você só era capaz de ter 3 ou 4 reverbs e 2 delays em um estúdio de gravação, agora você pode ter quantidades ilimitadas de reverbs, delays, compressores e equalizadores à sua disposição quando você vai mixar na sua DAW. Com o nivelamento do campo de jogo significa que há uma maior quantidade de música lá fora.
Eu acho que tirar de músicos uma pegada mais forte e precisa, embora ele leve mais tempo para gravar, irá sempre soar melhor do que a edição digital para acertar as coisas. Então, se você ouvir os registros feitos 20 ou 30 anos atrás eles foram gravados em fita. Consertar as coisas perfeitamente na sua DAW remove toda a humanidade da musica. Optando por aperfeiçoar a interpretação para melhorar suas habilidades na hora de gravar vai lhe dar os melhores resultados.
          PR: _Você optou por usar Pro Tools e Plugins devido á uma realidade de mercado ou prefere trabalhar da maneira antiga? O que você sente quando conversa sobre isso com outros produtores e engenheiros de som que tem contato? Alguns desses nomes que eu já vi você entrevistar já experimentaram os dois mundos exaustivamente.
          WH: _Eu vivo nos dois mundos. Eu não me vejo trabalhando totalmente longe do analógico em um futuro próximo. No entanto, eu pessoalmente acho que não é tão importante nos dias de hoje ter uma mesa de mixagem ou especialmente uma summing box. Alguns dos melhores engenheiros de som do mundo agora mixam inteiramente in the box. Eu acho que os resultados falam por si. Vai ouvir qualquer das mixagens de Andrew Scheps, elas soam incríveis. Eu não vejo mais uma necessidade de ter uma mesa de som, a não ser para mixar uma bateria ao vivo em particular. No entanto, captar um grande som na origem é o principal. Se você pode pagar pelo menos por um bom pré amplificador de microfone, e talvez um bom compressor, que, combinado com um microfone decente, fará uma grande diferença na sua gravação, maior do que qualquer tipo de summing box. Obter um grande sinal na captação, bem gordo, capta-lo soando incrível, quando for mixá-lo sua vida vai ser muito fácil, independentemente de como você mixá-lo, in the box ou com summing analógico. Gravá-lo muito bem é o segredo. Então, para mim, o analógico no momento é realmente importante na entrada do sinal. Dito isto, caras como Steven Slate, que está inventando o microfone virtual, e outras empresas estão realmente começando a empurrar os limites para mais adiante. A revolução digital está aqui para ficar e é bastante provável que no futuro, até mesmo no futuro próximo, as pessoas vão fazer gravações inteiramente digitais que irão soar como elas fossem gravadas totalmente em analógico.
          PR: _Loops e edição de tempo e afinação na mixagem tiraram a obrigatoriedade do músico de executar seu instrumento com perfeição no momento da gravação, isso afeta a maneira como eles estão trabalhando hoje? Comente sobre isso.
          WH: _Um monte de novos artistas ascendentes estão começando a trabalhar com produtores de rock modernos e são privados da experiência de tocarem juntos em uma sala. Acho isso lamentável porque atrasa o seu desenvolvimento como músicos e geram músicas que soam incrivelmente artificiais que só podem ser reproduzidas com toneladas de playbacks ao vivo. Estamos todos cientes disso, todos nós temos visto e ouvido nos shows. Eles têm de competir com artistas pop para permanecer relevantes, então eles têm que fazer todas as coisas que os artistas pop fazem.
          PR: _Como você acha que a indústria da música será em poucos anos? Você acha que a música ao vivo tende a acabar agora que vemos tantos playbacks e recursos tecnológicos que está sendo usados nos shows e tem agradado o público em geral ou isso não é percebido com frequência? Você se lembra do Milli Vanilli? Porque Justin Bieber, David Guetta e outros artistas com as mesmas características não sofrem as mesmas consequências, que os farsantes citados acima, por fazerem shows praticamente todos pré gravados? Gostaria de sua opinião honesta sobre isso, estou curioso. (Escrevi sobre isso aqui)
          WH: _Infelizmente, Milli Vanilli não eram os cantores reais nas gravações. Eles eram apenas personagens para outros cantores. Justin Bieber é realmente muito talentoso. Ele é um grande cantor e multi-instrumentista, se você pesquisar na internet verá que há uma abundância de vídeos no YouTube dele cantando fantasticamente quando era criança. A realidade com a música pop é que as pessoas querem ouvir o disco e ver o artista ao vivo. Estamos neste mundo infeliz onde playbacks são muito utilizados e cantores, que estão pulando e dançando até ficarem sem fôlego, estão cantando junto com sua trilha de voz pré-gravada. Dessa forma eles ainda soam "Profissionais". Felizmente, há uma grande quantidade de artistas que não precisam fazer isso, temos tantos artistas diferentes de diferentes gêneros neste mundo, que se você realmente é um fã de música de verdade, pode encontrar diversos artistas que ainda tocam realmente ao vivo e são incrivelmente emocionantes de assistir.
          PR: _Para as novas gerações a música está sendo vista como arte ou simples entretenimento, como jogos de vídeo ou televisão? Você acha que as pessoas estão comprando arte ou apenas compram um produto qualquer quando compram um CD, vão a um show ou fazem download de uma álbum pelo iTunes?
          WH: _Eu acho que eles compram tanto a arte como a mercadoria. Mesmo quando você é um adolescente impetuoso e descobre bandas  independentes, parte da razão por que você gosta delas é porque ninguém mais sabe sobre eles. É  como se descobrisse algo único, que é só seu. O grande barato sobre a música é que todos nós a amamos, e todos nós amamos ama-la. Às vezes nós amamos sempre as mesmas coisas, mas outras vezes não. É difícil de acreditar, haha, mas algumas pessoas não gostam de The Beatles! Isso é algo incomum para os fãs de música de acreditar, mas eu conheci pessoas que não gostam deles. Fiquei espantado com isso, eu achei inacreditável. Serve para ilustrar que a música nos fala a todos de maneiras diferentes e por razões diferentes. Grandes artistas como David Bowie não podem surgir novamente. Um artista não pode querer ser tão completo quanto ele, em todos os níveis. Isso não pode acontecer novamente porque as pessoas não estão susceptíveis a gostar disso. Mas você sabe, só havia um Michaelangelo e um Leonardo Da Vinci e havia apenas um David Bowie. Não há problema em ser duas ou três coisas que David Bowie foi. Se você é um grande compositor, mas não é um grande cantor, tudo bem. Indiscutivelmente Willie Nelson não é um grande cantor, mas é um dos melhores compositores que já viveu. Portanto, há um monte de coisas para amar sobre todos os tipos de música.
          PR: _Pra encerrar, com quase 50 anos de idade você acredita que é bem sucedido profissionalmente e como ser humano? Você acha que algo poderia ser diferente ou tudo é exatamente como você imaginou? Diga-me como é viver da sua paixão pela música já que eu não tive esse privilégio porque eu preferi alguma integridade artística (estupidez, eu acredito, hehehehe), em vez de uma carreira de músico profissional? O homem Warren Huart  ainda tem muito a alcançar?
          WH: _Eu não tenho arrependimentos. Existem coisas que eu poderia ter feito de forma diferente? Claro, mas elas teriam me levado por um caminho diferente. Uma frase que eu amo é " o passado de um homem é a sua contribuição para o futuro". Então, se você não viver tudo que você teve como experiência na vida, você pode não ser capaz de se relacionar com outras pessoas. É importante que mesmo alguns dos meus fracassos musicais existam, porque sem eles eu não saberia de algumas das armadilhas que agora eu posso orientar os artista ao meu redor a não caírem nelas. A razão que eu amo fazer o Produce Like A Pro é poder deixar todos saberem como evitar essas armadilhas. É realmente importante como produtor ser capaz de se relacionar com seu artista. Se você teve sucessos e fracassos na vida, você pode aplicar essas informações em cada situação.
         Então essa foi a entrevista com Warren Huart. Pra mim, nenhuma resposta que ele tenha dado me surpreendeu, talvez a que ele falou da cultura brasileira. Acho que, por já conhecer o trabalho dele, eu esteja acostumado com suas ideias ou mesmo tenha absorvido muitas delas. Mas não custa ressaltar alguns pontos como o objetivo do projeto Produce Like a Pro, que é compartilhar uma quantidade grande de informações e demonstrar como usá-las na prática. Nos vídeos que estão disponibilizados no Youtube você pode ver exatamente como ele grava e trabalha com artistas de renome. Também compartilho da ideia de que, se você trabalhar com outras pessoas, você tende a crescer constantemente, pois as tecnologias e as formas de trabalhar também mudam o tempo todo. foram meses aguardando para receber as respostas de meus questionamentos, já que não tivemos como fazer a entrevista por Skype ou Hangout, fizemos tudo por e-mail. Também foram horas fazendo a tradução para tentar trazer para a linguagem do blog tudo que o Warren pensa sobre os assuntos abordados. Essa é minha pequena contribuição visando melhorar a musica e a cultura no nosso país. Espero que leiam, gostem, aproveitem,compartilhem e discutam todos os temas abordados nesse espaço. Grande abraço a todos!
                    PS: Um grande abraço a Warren Huart e toda a equipe da Spitfire por possibilitarem este contato! Sucesso a todos!
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