quarta-feira, 13 de julho de 2016

Entrevista com Paulo Anhaia

         
          Nos últimos dias tive a oportunidade de entrevistar, via e-mail, o produtor e engenheiro de áudio Paulo Anhaia. Para quem não conhece, é a pessoa por trás dos sucessos de Charlie Brown Jr., CPM 22, Velhas Virgens, Resgate, Rouge, Oficina G3, entre muitas outros grupos. Se analisarmos a carreira de Paulo Anhaia, veremos que ele trabalhou como produtor, engenheiro de áudio, arranjador, etc., em quase 10 álbuns por ano, em média. Estamos falando de muita experiência em estúdios, parceria com Rick Bonadio e outros grandes nomes do cenário musical, prêmios e reconhecimento. Desde seu início de carreira, ainda tocando com bandas na metade da década de 1980, até aqui, muitas coisas rolaram na carreira de Paulo, inclusive a mudança do formato de mídia, na forma de se trabalhar com música com a queda das grandes gravadoras e o surgimento das novas tecnologias. Sempre presente no mercado e em plena atividade, sua contribuição para o cenário musical brasileiro é imensa. Mesmo premiado e reconhecido por seu trabalho, Paulo Anhaia faz questão de divulgar uma grande quantidade informações e dar a oportunidade para que outras pessoas possam se servir deste conhecimento e utilizá-lo em seus trabalhos.
          Conheci o Paulo Anhaia de fora do estúdio em uma entrevista que fazia parte de um curso de produção musical que participei em 2012. Já havia visto e lido muito a respeito dele por causa dos trabalhos premiados que havia realizado. Porém, foi nessa entrevista que tomei contato com a pessoa e a forma desse importante profissional pensar a música em geral. Depois disso, passei a acompanhar seu canal no Youtube e assistir a série "Anhaia TV", onde Paulo fala sobre seu trabalho e suas idéias a respeito de música e mercado musical. Investir tempo em compartilhar informações e debater suas técnicas, também tem sido uma constante em sua rotina atualmente, pois tem ministrados cursos, tanto on line como presenciais, onde expõe sua metodologia de trabalho e instrui os interessados sobre todas as etapas da produção em estúdio. Paulo Anhaia também participa de cursos e workshops de outros profissionais da área, quando possível. Isso demonstra, não só o interesse em se manter atualizado, como também a humildade e o espirito colaborativo em prol do crescimento profissional de todos.            
          Atualmente Paulo Anhaia mantém a série "Pergunte ao Anhaia" em seu canal no Youtube e já passa de 35 episódios. Nesse espaço ele dedica de 20 a 30 minutos semanais para responder questões enviadas por aqueles que o acompanham. Há de se ressaltar que Paulo responde a todas elas com carinho e riqueza de detalhes, sem nunca menosprezar aqueles que o questionam. Não há como não reconhecer a grandeza de caráter de quem já alcançou um status muito alto dentro do cenário musical e continua tratando as pessoas de forma atenciosa e respeitosa. Todos deveriam demonstrar a mesma grandeza ao invés de se tornarem esnobes, donos da razão e inacessíveis aos outros, escondendo-se atrás de uma fachada midiática para camuflar sua real mediocridade artística ou pessoal. Felizmente existem pessoas que rompem com esses velhos conceitos de guardar pra si a informação, de inflar seus egos gigantes e se deixam levar pelo sentimento coletivo de melhorar a música. Esse também é o objetivo desse blog e os demais detalhes sobre o cara estão na entrevista abaixo:
          Paulo Ramos: _Quatro bandas marcam pontualmente sua carreira como músico: Shock, Complexo B, Pozzeidon e MonsteR, correto? O que cada uma dessas bandas representou pra você e no que elas somaram para a construção do Paulo Anhaia que se estabilizou no mercado musical? Havia mais alguma banda que seria interessante citar além das já mencionadas? 
          Paulo Anhaia: _Têm mais bandas. Toquei com muita gente em muitas situações, mas vou falar sobre as 4 que citou. O Shock foi a minha primeira banda com 13 anos de idade. Foi a minha descoberta sobre o que é ter uma banda, como lidar com outros músicos, saber o que é um ensaio, o que é um show e etc. Tínhamos uma paixão que nunca mais foi igualada. Aquela coisa de garoto inocente. Ensaiávamos 10, 12 horas por dia, no sábado e domingo, hehehe. Depois, veio O Pozzeidon, a minha primeira banda séria. Durou 7 anos e compusemos muitas músicas, fizemos duas demos e muitos, muitos shows. Nessa banda aprendi a gravar, a lidar com o público num show, a divulgar shows, a compor e tocar vários estilos de música, foi importantíssima pra mim. O Complexo B foi a minha primeira banda de covers pra tocar na noite. Aprendi demais nessa banda, os outros músicos eram bem mais experientes que eu, e me desafiavam a ser melhor a cada dia. Me tornei principalmente um vocalista melhor, porque muita coisa que eu considerava impossível de cantar, eu consegui. Ótima fase! O MonsteR foi a minha banda que durou mais tempo, dez anos, e que realizou mais coisas. Foram três CDs, dois DVDs, muitos shows... Foi a banda de que fiz parte que tinha uma postura realmente profissional. Fazíamos músicas que a galera cantava junto e sempre nos destacávamos nos lugares onde tocávamos, nosso show era animal!
          PR: _Quais estúdios você trabalhou como empregado, se é que se pode dizer assim, e o que cada um deles lhe proporcionou alguma evolução na sua carreira?
          PA: _O primeiro foi o Studio 43, no Jaçanã em SP, foram 3 anos. Lá eu aprendi o que era ser um engenheiro de som, o que era mixar e o que era trabalhar com muitos estilos diferentes. Era um estúdio muito bem montado, com um equipamento de ótima qualidade. O segundo foi o Bonadio Studio. O Rick Bonadio um dia ligou pra minha casa me chamando pra trabalhar num estúdio que ele estava montando, o Midas. Ele ouviu uns trabalhos que eu tinha feito e pegou meu contato com o Toninho, dono do Studio 43. Como ainda iria demorar um tempo até o estúdio ficar pronto, trabalhei pra ele no Bonadio Studio por um ano antes de irmos pro Midas. O Bonadio era um estúdio criado por um cara que é músico e produtor musical, o 43 foi criado por um cara que é engenheiro de som. Isso significa que o foco de cada estúdio era bem diferente, e o clima também. O 43 era um estúdio mais técnico e o Bonadio mais musical. Me adaptei a essa nova realidade e fiz uns trabalhos memoráveis nesse estúdio. Depois fomos para o Midas, que era absurdamente superior ao que eu conhecia de antes. Um estúdio de primeiro mundo mesmo, com os melhores equipamentos e melhores salas. Fiquei lá de 1998 até 2009 e fiz muito, muitos trabalhos de sucesso. Todas as premiações que tenho são dos trabalhos que executei lá, nessa época.
          PR: _Você teve algum mestre, uma pessoa que você decidiu se espelhar quando começou a produzir?
          PA: _Michael Wagener foi meu mestre sem saber, hehehe. A revista Kerrang fazia um anuário onde sempre rolavam várias entrevistas interessantes. Num desses anuários teve um método de produção do Michael Wagener, falando sobre quantas horas se usaria por minuto de produção e que tipo de produção poderia ser feita dependendo da quantidade de horas por minuto. Por exemplo, 1 hora por minuto daria para levar a banda no estúdio, gravar a base ao vivo, somar a voz e mixar rapidamente. Quase um ensaio ao vivo. 6 horas por minuto daria para produzir com calma e critério. Essa matéria foi o referencial para a primeiro produção que fiz, e até hoje mantenho isso como referência.
          PR: _Acompanhei seus vídeos da "Anhaia TV" no Youtube e são muito interessantes, principalmente quando você fala da qualidade do trabalho musical propriamente dito: composição, letras, arranjos, etc. Não te parece que o pessoal que está iniciando os trabalhos com música está mais apegado a equipamentos e teses mais técnicas do que a música propriamente dita? Gostaria que compartilhasse sua impressão com os leitores do blog.
          PA: _É exatamente isso. As pessoas estão esperando que a qualidade musical venha do equipamento de áudio, mas na verdade a qualidade do áudio depende muito da qualidade musical. Um bom cantor, cantando uma boa música, num tom coerente, soa bem mesmo se usar um equipamento simples. Um mal cantor, cantando uma música ruim, no tom errado, soa ruim mesmo se usar o melhor equipamento do mercado.
          PR: _Dando uma olhada na sua discografia como produtor musical/engenheiro de áudio constato duas coisas que julgo interessantes: 
          1° Você tem trabalhado com bandas de Rock que estiveram na grande mídia como CPM 22 e Charlie Brown Jr, bandas de Rock Cristão cito: Oficina G3, Resgate e Katsbarnea, e pop como: Rouge e Bro'z, entre outros nomes, todos mais ou menos na mesma linha em termos de sucesso;
          2° Você não tem trabalhado com bandas grandes de Metal;
          Você acha que isso se deu por conta de você ter trabalhando bastante com o Rick Bonadio e por isso seu trabalho foi mais direcionado para esses grupos que são mais o perfil dele? Falo isso porque sei que gosta de várias bandas de Heavy Metal, Rock Progressivo e Hard Rock. 
          PA: _Você está equivocado. O problema é que as bandas de Metal não fazem sucesso como as bandas de pop rock, então você ficou sabendo das bandas de pop rock que eu fiz, mas não ficou sabendo do Fates Prophecy, Wizards, Madame Saatan, Tuatha de Danann, Ancesttral, Heavens Guardian, isso pra citar só algumas. Fiz muitos trabalhos bons de metal, mas você não os conhece porque está focado no Bonadio, hehehe. Outra coisa que é comum é isso que você disse de “bandas na mesma linha”. Rapaz... Oficina G3, Velhas Virgens, Rouge, CPM22... mesma linha onde??? Hahaha, esses artistas não poderiam ser mais diferentes entre si.
          PR: _Quando falei do estilo das bandas, ou "mesma linha" me referia exatamente a popularidade e o tamanho dos artistas para cada nicho. Me expressei mal ao elaborar a pergunta. Quis dizer que faltou a sua assinatura em trabalhos de bandas como Sepultura, Angra, Dr. Sin, Krisiun,... Que são bandas tão representativas dentro de seus estilos quanto as bandas que citei, Oficina G3, CPM 22, Charlie Brown Jr. Mas foi bacana sua porque com a sua resposta as pessoas vão ampliar mais o campo de visão a respeito de seu trabalho. Eu acho que o resultado que teve com as bandas citadas, demonstra que se pegasse uma banda de Metal nacional consolidada lá fora, você conseguiria levar a outro nível. Penso que você seria o cara ideal pra gravar Roots do Sepultura e Holly Land do Angra.
          PA: _Porra, muito obrigado pelo carinho! Infelizmente é comum as pessoas verem somente os trabalhos de sucesso comercial e esquecerem dos trabalhos "menores". Não é culpa minha isso. O empenho e o carinho é o mesmo, mas alguns viram sucesso comercial e outros não...
          PR: _Quando você recebe uma banda desconhecida para gravar um álbum, qual a sua primeira preocupação: Entender o que a banda quer fazer e tentar ajudá-la a chegar ao seu objetivo, ou você prefere direcionar a banda para aquilo que você imagina que eles deveriam fazer? Falo de bandas novas, pois é o tipo de trabalho que tenho contato nesse momento. 
          PA: _Eu sempre trabalho com o que a banda me traz. Se caso eu não goste de nada do que eu ouço, eu prefiro não fazer. Sou só um meio para chegar a um fim, não gosto de criar artistas do zero porque não acredito nisso.
          PR: _Como você viu a queda das grandes gravadoras e o acesso facilitado ás produções caseiras de qualidade razoável? Você acha que a mudança causada pela internet proporcionou mais liberdade artística para as pessoas, mas a falta do filtro das gravadoras e os investimentos delas contribuíram para uma queda na qualidade da música em geral? Falo isso porque muitos dos artistas independentes podem até ser, e alguns são muito bons, mas falta uma estrutura que maximize seu potencial e eles acabam competindo com os aqueles virais de internet e a coisa toda fica confusa. Como você analisa essa mudança de mercado, já que esteve trabalhando nele diretamente desde o inicio desse fenômeno?
          PA: _A indústria da música como conhecíamos morreu, eu já canto essa bola há mais de quinze anos. Se a sua ideia é fazer música, acho que estamos na melhor época, já que os equipamentos e o conhecimento para fazer música estão mais democratizados do que nunca. Se você quer ser uma estrela da música, talvez estejamos na pior época que já existiu desde o surgimento das gravadoras. As gravadoras eram guiadas por gente que queria ganhar dinheiro. Elas faziam um estudo sério do público, dos artistas e investiam com sabedoria para que desse certo. Sem essas pessoas o trabalho é bem mais complicado, porque o artista tem que saber sobre marketing também, e aí acaba dividindo isso com a parte musical, que acaba sendo prejudicada.
          PR: _No seu workshop "Mix in the Box" achei o conteúdo muito direcionado a galera que via as condições dos músicos e produtores brasileiros até os anos 80 que diziam: “Não dá pra fazer algo de qualidade, não temos recursos!” Fale-me deste workshop. O foco é esse mesmo: “Simplesmente não invente desculpas, faça que dá certo”? 
          PA: _Posso estar enganado, mas tudo na vida é exatamente assim. Como se cria um filho? Como se monta uma empresa? Como se aprende a andar de bicicleta? Dando desculpas ou fazendo o melhor possível com o que se tem? O "Mix in the Box" é um “despertador” hehehe, do tipo: "Se liga, nada na música é feito em condições ideais, o que você está esperando pra fazer música se tudo o que você precisa pra fazer você já tem?
          PR: _O “Dia a dia no estúdio” é um workshop mais direcionado a quem quer realmente trabalhar no estúdio, como engenheiro de som. Você quer mostrar o trabalho para o pessoal ver se é isso mesmo o que querem, ou matar a curiosidade da galera já está valendo? Fale-me deste Workshop e o que tem lhe proporcionado?
          PA: _A ideia é levar a galera para um grande estúdio e mostrar como eu fiz os meus trabalhos de sucesso. O workshop desmistifica muita coisa, mostra que a parte humana é mais importante e que muito do que se faz é uma questão simplesmente de gosto e de diversão enquanto se trabalha.
          PR: _O Curso “Editando até quebrar o Mouse” é bem o tipo de foco que eu vejo nos fóruns e debates. Explique o conteúdo do curso e qual o objetivo final deste assunto?
          PA: _O "Editando..." é muito simples: Eu queria editar uma música antiga que gravei em quatro canais e percebi que isso poderia ser interessante para outras pessoas acompanharem. Filmei tudo e fiz um curso a partir disso, hehehe. É só isso, nada mais que isso.
          PR: _O curso “Vamos fazer a boa?” é direcionado a galera que quer realmente ser um produtor, entender as nuances e se familiarizar com a profissão. Aparentemente esse curso específico é o que mais reflete sua carreira. Como tem sido esse trabalho? Quais frutos tem colhido?
          PA: _O "Vamos Fazer a Boa" é o trabalho mais audacioso que fiz em toda a minha vida. Um ano de curso, vários entrevistados, mais de 40 horas de material em vídeo e áudio de alta qualidade. Hoje é muito comum as pessoas montarem seus estúdios e serem os únicos engenheiros/produtores dentro deles. A ideia é poder mostrar além de um curso, a metodologia de trabalho de vários profissionais, para que isso dê uma base mais sólida pra quem trabalha sozinho. Estou muito feliz com esse curso, já tive mais de 250 alunos e ano que vem tem mais novidades...
          PR: _Warren Huart (produtor de Alice in Chains, Aerosmith, etc) tem a opinião de que tudo deve ser maximizado antes do conversor ADDA. Ou seja, boa composição, boa execução, bons instrumentos, bons hardwares e bons microfones, antes da música ou o áudio entrarem no computador. Dai pra frente tanto faz a DAW, se é PC ou Mac, desde que funcione bem. Já vi opiniões suas nesse sentido também. Mas quando entramos em fóruns de internet, conversas sobre áudio, cursos, etc, a grande preocupação da galera é comparar plugins, discutir técnicas de Pro Tools, tipos de conversores, parece que a tendência é centralizar no computador. Você percebe isso nos seus cursos e programas? Você acha que o pessoal iniciante está errando o foco?
          PA: _Sem dúvida. É muito simples, os teóricos “acham” isso ou aquilo. Quem realmente trabalha com música “sabe” isso ou aquilo. Quando eu falo sobre uma determinada técnica ou sobre música, estou falando porque tenho experiência com isso. São mais de 30 anos nos palcos, mais de 20 anos em estúdio, 4 Grammys Latinos, montes de discos de Ouro, Platina, Diamante... Eu não falo sobre algo que eu acho que funciona assim ou assado, eu falo sobre algo que já fiz e que deu certo, ou que já fiz e que deu errado. Por isso eu costumo dizer que fóruns de internet são os melhores lugares do mundo para você conseguir dúvidas novas, hehehe.
         PR: _Qual o real objetivo do “Pergunte ao Anhaia”? Eu assisto todos e notei que as respostas acabam sendo bem direcionadas a cada caso. Inicialmente você pensou que seria assim, ou esperava que fosse como o Anhaia TV, mas com base nas dúvidas recorrentes da galera?
          PA: _O objetivo dos dois é o mesmo: Ajudar as pessoas a terem melhores resultados em produções musicais. A diferença é que a Anhaia TV me tomava muito tempo. Eu pensava num tópico, fazia o roteiro e tentava não deixar nenhuma brecha, para elucidar as coisas ao invés de criar novas dúvidas. Esse formato se mostrou complicado demais e tive que parar com ele. Chegava a levar 3 dias pra poder colocar no ar. O "Pergunte ao Anhaia" é bem mais simples, você pergunta, eu respondo. Sempre tento explicar muito bem as coisas, mesmo quando as perguntas não parecem interessantes, eu tento achar uma forma de tornar ao menos a resposta interessante. Os programa me toma em torno de 3 horas pra fazer, por isso consigo fazê-los semanalmente.
          PR: _Você passou a ser pra mim, mais do que um nome nos créditos dos álbuns e se tornou um profissional compartilhando ideias, quando vi um bate-papo seu com o Dennis Szasnicoff no curso “Academia do Produtor Musical”. A partir daí comecei a prestar mais atenção no seu canal do Youtube e só não fiz nenhum de seus cursos ainda por falta de dinheiro e estrutura para tirar o máximo deles. Também vi uma aparição sua num workshop do Rodrigo Itaboray (que entrevistei pra esse blog também, confira aqui).  Como você vê esses cursos e workshops? São realmente ferramentas valiosas de informação e interação ao ponto de você querer produzir os seus? Ou depende de quem está apresentando o trabalho? Você costuma participar deste tipo de workshop como aluno?
          PA: _Os woskshops são ótimos e fui um dos primeiros profissionais reconhecidos da área a fazer. Hoje alguns outros também fazem, mas quando comecei não era comum. Sim, participo de workshops sempre que posso. Fui num do Enrico de Paoli que foi muito enriquecedor, "o cabra é bão!" Hehehe. Acho que ter contato direto com um profissional pode mudar muito a sua forma de trabalho, pra melhor. Vários alunos dos meus workshops me falam isso, que meus workshops mudaram a vida deles. Sou muito feliz em poder fazer isso.
          PR: _Vejo que você é bem aberto a compartilhar suas técnicas e abordagens profissionais. Me parece que no mercado americano as pessoas tendem a se reunir e debater seu conceitos, suas técnicas e trocar ideias. No Brasil, sinto que há uma necessidade por parte de alguns de reter a informação, não divulgar seus conhecimentos, já que em qualquer atividade profissional há uma grande fomentação a concorrência, por isso vale de tudo para ganhar espaço no mercado. Como você vê toda essa situação? Concorda? Qual seu argumento para defender o amplo debate de ideias e a troca de informações?
          PA: _O Brasil é todo errado de nascença, hehehe. Aqui tem a lei de Gerson, todo mundo quer levar vantagem em cima dos outros, ninguém quer ajudar ninguém em nada... Isso tem que mudar, e eu acredito naquela coisa de “pense globalmente e aja localmente”, tento fazer a minha parte e sei que já “contaminei” algumas pessoas com isso. Quem sabe no futuro isso melhora.
          PR: _Como os leitores do blog podem conhecer seu trabalho e ter acesso ao conteúdo informativo que tem compartilhado? Quais são seus canais oficiais? 
          PA: _Minha página e minha página do Facebook.
          PR: _Pra finalizar Paulo, deixo esse espaço aberto para acrescentar alguma coisa, dar dicas ou mesmo passar alguma informação que as perguntas acima não tenham abordado:
          PA: _Entrem na minha página e cadastrem-se para receber a minha newsletter. Através dela passo dicas de produção. Já tenho um workshop gratuito muito legal chamado “Mixando” e em breve terei mais cursos gratuitos, além dos cursos pagos. Um abração a todos e bora fazer música! :-)
          Depois dessa interessante entrevista, só posso agradecer ao Paulo Anhaia, assim como os demais colaboradores, por proporcionar esse tipo de contato. Quero salientar algo que concordo com ele. Vamos todos tentar somar para que a música melhore ao nosso redor? Cada um de nós tem uma forma de trabalhar, um gosto pessoal, condições diferentes para fazer as coisas, portanto, ao invés de perder tempo com discussões de quem ou o que é melhor, vamos fazer a nossa música. Não interessa se parece certo ou errado para alguém ou todo mundo, que a arte seja genuína e não pré-fabricada. Quando se trabalha com música há tanta coisa pra ouvir e aprender que não sobra tempo para preconceito, bate-bocas e senhores da razão. Vamos fazer arte? Simples assim. Cada um colaborando com alguma coisa, mas que seja de coração, como imagino que cada pessoa que colaborou comigo nesse espaço o fez. Grande abraço e sucesso a todos!

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