sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Porque artistas não podem apoiar governos

         
          Pra mim este tema sempre pareceu óbvio, mas ultimamente a ligação política de alguns artistas não tem sido visto com imparcialidade pela população e nem eles tem agido dessa forma. Não falo diretamente para os músicos somente, e sim para toda a classe artística, haja visto que muitos atores insistem em tomar partido de candidatos e até do governo publicamente. As consequências disso são óbvias, existem as represálias. Cito o caso de Lobão, com maior publicidade, Roger Moreira, entre outros, que tem shows cancelados por posicionamentos políticos contra o governo petista, assim como em manifestações nas redes sociais, tanto do público em geral como de outros artistas. De outro lado, na votação do Senado para a cassação ou não do mandato da então presidente Dilma Roussef, o músico Chico Buarque de Holanda estava presente ao lado do ex presidente Lula, hoje investigado pelo Ministério Público. Nestes casos os músicos acabam sendo vitimas de ataques de idealistas e daqueles contrários a seu posicionamento, fazendo com que venham a público diversas rixas e trocas de ofensas entre pessoas que não deveriam estar na mídia por estes motivos, e sim pelo seu trabalho artístico.
          Falei em outro texto que a lei Rouanet levantava várias possibilidade de fraudes de empresas querendo maquiar suas prestações de contas, até músicos consagrados usando o dinheiro para realizações próprias, o texto pode ser lido aqui. Eu particularmente sou contra leis de incentivo a cultura, por considerar que pagamos nossos impostos para financiar itens básicos como Educação, Saúde e Segurança e a cultura se incluiu no item educação. Se uma empresa tem deduzido de seus impostos valores referentes ao financiamento de obras culturais, isso quer dizer que essa verba não vai para o montante dos itens básicos citados acima. Essa é a razão pela qual eu considero falha uma lei de incentivo a cultura, assim como a tal bolsa artista e demais intervenções do governo na arte. Esse tipo de coisa serve para criar artistas chapa-branca e formar novos fios de fantoches para manipular as pessoas. Se o governo quer realmente financiar a cultura, que se utilize do formato da grade curricular, com aulas de matemática, física, química e geografia em um período e educação física, idiomas, literatura, música e educação artística em outro. Destinar bolsas e incentivos deste tipo apenas facilita que recursos públicos se escoem para a vala da corrupção.
          Deve haver um limite bem claro entre governo e artista. O músico, ator, entre outros, só pode lidar com o governo de maneira comum, pagando impostos e utilizando os serviços oferecidos a qualquer cidadão. A arte não pode ser desculpa para não pagar impostos ou ficar afastado no mundo artístico as custas do governo. Devemos incentivar arte e a cultura abrindo portas para que o artista possa fazer seu trabalho e cobrar de forma justa por ele. Não adianta um músico se dedicar a sua arte de forma autônoma e ter que pagar para abrir um show de um artista internacional, que arrancará os olhos da cara de quem quiser ver sua apresentação por conta dos empresários e organizadores destes eventos. Se houver segurança e certa estabilidade no mercado, naturalmente as pessoas vão consumir arte e os artistas, assim como a cultura, serão valorizados. O governo não pode fazer parte disso. Onde há 1% de participação politica, certamente haverá 99% de corrupção. Cultura o cidadão adquire com formação e conhecimento, não com esmolas do governo.

          Pela nossa cultura, sabe-se que nenhuma ação da iniciativa privada é gratuita, ninguém vai investir em algo para não ganhar nada em troca. Portanto, leis de incentivo a cultura existem para mascarar algum fim mesquinho, não para dar ao cidadão comum momentos de lazer e crescimento cultural. É muito mais natural um artista se apresentar de graça do que uma empresa financiar um evento sem ganhar muito mais do que foi investido em troca. Se há uma parceria entre uma empresa ou marca para algum trabalho artístico, que seja diretamente feita com o artista e ele repasse ao governo o que lhe é legal. O Estado nunca pode interferir nesse tipo de ação, pois seu papel é outro, e a ele só cabe fiscalizar e arrecadar tributos conforme a lei. Essas relações entre empresas e artistas podem gerar contradições e coisas do tipo, mas ficam por conta dos artistas os resultados de suas escolhas. Nunca o dinheiro público pode ser usado para comprar a opinião e o silêncio das pessoas, principalmente dos artistas.
          Para encerrar essa postagem, deixo bem clara a minha opinião sobre o envolvimento do governo em atividades culturais. Sou contra. Como falei anteriormente, invista em aulas de música e demais manifestações artísticas nas escolas, não aliviando a carga tributária de grandes empresas. Faça de forma clara e transparente, com escolas em dois turnos garantindo segurança e boa formação aos alunos, tranquilidade para os pais e qualidade intelectual aos cidadãos. Empurrar esmolas e inventar leis mirabolantes só fomentam a corrupção, não a cultura. Educação e cultura devem ser  direcionados para a base, a escola. Garantindo isso, naturalmente as pessoas passarão para os outros níveis consumindo arte. Assim se forma cidadãos informados, cultos e com veia artística. Entretanto, nenhum governo quer isso, pois esse tipo de individuo normalmente questiona tudo e se torna mais difícil de se manipular. Antes de se apoiar políticos e governos, precisamos questionar as reais intenções deles. Por isso são duas vertentes que jamais podem se relacionar. A arte existe também para questionar e nunca servir a quem é contra o povo. E todos os tipos de governo são contra o povo.
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