sábado, 7 de janeiro de 2017

Sobre o aborto


          Honestamente, não condeno pessoas que defendem o aborto e nem mulheres que já interromperam uma gravidez por motivos particulares. Porém, o tema é bem polêmico pelo simples fato de quererem que vire uma lei permissiva, e ainda se construa uma estrutura em torno deste tema, onde envolve médicos, associações e campanhas publicitárias. Uma coisa é você não se incomodar quando outra pessoa defende ou pratica o aborto, outra é ser a favor da legalização. Por mais que eu não concorde e jamais incentive uma pessoa a fazer isso, casos específicos não me dizem respeito, não vou deixar de falar com uma pessoa que eu goste por ela defender o aborto. não tenho o direito e nem a vontade de julgar as atitudes de alguém, pois elas são responsáveis por seus atos e responderão por eles. Isso se resume a um simples fato, a pessoa pensa o que quiser e faz o que quiser, até o ponto onde só ela pode ser prejudicada, não interferindo na liberdade das demais, para mim se resume a isso, livre arbítrio. Mas, quando coisas como o aborto chegam a virar lei, ai a coisa compromete todo um sistema social e moral, vai além da liberdade individual onde a pessoa deve calcular o risco e sofrer com as consequências. A ideia é, ao menos, refletir sobre isso e nunca deixar uma opinião ou situação pessoal tomar proporções públicas. Acredito que haja um limite entre o público e o individual e esse limite precisa ficar claro a todos. Existem coisas comuns e outras coisas de cunho individual, há uma divisão de responsabilidades aqui. Não se pode impor ao senso comum um pensamento individual, isso interfere, ofende e desrespeita as outras pessoas.
          Porque eu sou contra a legalização do aborto. Eu considero que, a partir do momento que o óvulo é fecundado, já há vida, e essa deve ser preservada. Claro que tem aqueles que vão dizer: _ "Então a punheta deve ser criminalizada!"_Isso não só é um exagero, como é idiotice. Para o idiota só resta a imersão autoimposta na sua idiotice. Quando é o caso, não há necessidade de argumentação, pois seria inútil perder tempo discutindo com um simples idiota. Mas para quem exagera, reitero que a partir do momento em que, daqueles espermatozoides todos, um deles fecunda o óvulo, já há uma nova vida. Não tem como provar cientificamente em qual momento da gestação esse feto passa a ser um indivíduo vivo e que deve ser defendido. Essa será uma discussão eterna e que nunca se alcançará uma posição definitiva, pois sempre haverá dualidade de pensamento. Legalmente, a vida de um absoluto inocente tem que prevalecer sobre a vontade da mãe e do pai, sempre. 
          Há quem defenda que o feto é parte da mãe, como um órgão ou algo assim. Ela tem o direito de querer ou não este órgão. Por este raciocínio, ela poderia tirar o feto, pois não há interesse na posse daquilo. Daí entra a questão do pai também. Pode ser que ele não queira interromper a gravidez. Já que é uma posse da mulher, ela deve, ao menos, reconhecer que não engravidou sozinha, que o pai é co-responsável. Mesmo assim, há de se ter uma legislação diferente que envolva as crianças e os adolescentes. Se matar uma criança na fase de gestação não pode ser criminalizada, vamos evoluir na ideia, por que não brigarmos pelo direito de poder matar filhos que já estejam em outras etapas? Afinal, na China o Estado matava bebês para controlar os índices de natalidade. Em outras culturas também se tem relatos semelhantes, de antropofagia inclusive. Legalizar o aborto não seria um primeiro passo nessa direção? As coisas não são apenas o que se vê na superfície, há sempre a necessidade de aprofundar e expandir o assunto, é neste ponto que as decisões se tornam perigosas. Se analisarmos os depoimentos de todos os assassinos, para eles nunca houve um crime por motivo torpe, houve sempre uma motivação justa para ele, por mais absurda que possa parecer para as demais pessoas.
          Reconheço que existem casos específicos em que um médico sugere a interrupção de uma gravidez de risco ou coisas do tipo, mas isso cabe em outra discussão, existem muitos fatores envolvidos. Já vi o idiota do Ciro Gomes, que volta e meia se candidata a presidente ou outros cargos políticos, explicar que uma mulher pobre pode, em sendo legalizado o aborto, procurar um hospital e passar pelo procedimento custeado pelo SUS, ao invés de utilizar uma agulha de croché. Ora, num país que as pessoas morrem nos corredores de hospitais sem atendimento ou esperando por um exame, mulheres de baixa renda vão ser atendidas com segurança para fazer um aborto? O que esperar de um economista que afirma que não há risco da inflação voltar e, mesmo assim, convivemos com esse fato diariamente, mesmo que o Governo não admita? Ou seja, todas as explicações em favor da simples legalização do aborto me soam rasas e inúteis. Não por eu simplesmente bloquear meus sentidos para o debate, mas sim por nunca ter encontrado razões justas para tal coisa acontecer, não importando de onde venham as argumentações.
          Mais particularmente, eu sempre temi a paternidade pela provável incapacidade de me separar de um filho. O problema era ficar sempre inseguro em relação ao relacionamento que gerou aquela criança. Afinal, relações entre homem e mulher se desgastam ou simplesmente terminam por vontade comum do casal ou por uma das partes, ainda mais nos dias de hoje. Não me imaginaria mantendo um casamento por conta de um filho, ou visitando-o periodicamente em troca de uma pensão alimentícia. Também sempre me soou absurda a possibilidade de criar uma criança sem a mãe por perto. Entretanto, acabei me tornando pai há alguns anos e, até então, nunca havia vivido uma experiência que mudasse tanto a minha vida como a paternidade o fez. Acho que todo o esforço dos pais em dar uma estrutura básica para um filho é o mínimo que se pode fazer. Mas este é apenas o meu pensamento, de acordo com a minha educação e meus princípios básicos. Não posso impor isso a outras pessoas, apenas torcer para que mais pessoas pensem da mesma forma. 
          Acredito que ao invés de legalizar o aborto, se crie uma forma artificial de gestação supra uterina, mas que não se autorize uma mãe a matar seu filho em nenhum momento da gestação. Não podemos sequer achar que um fruto de um estupro, por exemplo, seja garantia que a criança que vai nascer não possa ser uma pessoa extremamente importante na vida da mãe ou até da sociedade. Que crime ela cometeu? Já ouvi e li depoimentos em que a mãe justificava o aborto por não poder conseguir olhar para a criança sem lembrar do estupro. Contudo, isso é um problema da mãe, matando o filho ou não, pois é dificílimo lidar com fatos repugnantes como este. Acho que é pior conviver com a memória do estupro e do assassinato do filho ao mesmo tempo. Mas há aquele que diz: _" Mas se o aborto for legal, não haverá assassinato e nem crime, portanto, não haverá culpa!"_Mais uma argumentação idiota, que só pode vir da mente doente de alguém. O primeiro e mais importante direito, que é comum a todos, é o direito a vida. Ou seja, mais do que a liberdade ou qualquer outro direito, a vida é o bem mais valioso.
          Não se pode cobrar de um solteirão, que vive sozinho e tem total liberdade para fazer o que quiser, se posicionar favorável ao aborto. Há quantos casos de homens, até casados, que acabam por gerar filhos em relações ocasionais e que abominam a ideia da paternidade, por isso são favoráveis ao aborto em prol da sua liberdade. Será que estes mesmos indivíduos não atropelam e matam pessoas no transito e fogem sem prestar socorro ás vítimas, motivados por este mesmo sentimento? É de se pensar a respeito. Ou temos a mãe que, por já ter muitos filhos ou por sofrer com uma determinada gravidez, não cogite a hipótese de ter mais filhos e escolha abortar. Em ambos os casos o problema não é dos adultos? Qual a culpa da criança? A motivação por trás de um abortista, na minha opinião, é sempre idiota ou moral e intelectualmente problemática, nunca sadia, sóbria e isenta. Portanto, o aborto não pode ser legalizado.
          Há relatos de pessoas que disseram ter abortado num impulso motivado por algo momentâneo e que acabaram se arrependendo depois. Muitas famílias lamentam a perda de filhos ou a infertilidade. Outras acham que, por algum motivo, devem matar os seus, mesmo que nos seus primeiros instantes de vida. Por mais que reúna depoimentos, leia e escute diversas teorias, não consigo apoiar a legalização do aborto. Pois, se for liberado a todos e não analisados caso a caso, sob mera autorização previamente concedida, haverá uma grande inversão de valores. É um daqueles assuntos que podem soar para muitos como sendo, não somente legal, mas obrigatório, de certa forma. Se levarmos em conta que, a maioria dos homens, e mulheres também, usam preservativos para evitar a gravidez e não a transmissão de doenças, olha o problema que estamos criando. Há um risco iminente até para a saúde pública.
          Sem ser radical e ponderando caso a caso, ainda acho que criminalizar médicos, mães, pais, avós, e qualquer tipo de colaboração num aborto, ainda é a maneira mais efetiva de, não só educarmos as pessoas sobre esse assunto, mas impedir que se evolua em outras direções que já citei aqui, causando uma imoralidade e um desprezo ainda maiores pela vida, que só poderiam nos arrastar para a barbárie. Antes de se liberar essa prática, que para mim e para muitos, é absurda, convém investir em prevenção, educação e amparo sobre a gravidez indesejada e doenças advindas das relações sexuais. Mesmo em casos como estupro, que é inevitável para as vítimas muitas vezes, cada caso deve ser tratado com o cuidado e a dedicação que cada vida merece. A maioria de nós só está aqui porque alguém, na maioria das vezes é assim, fez concessões á nosso favor e cabe a nós decidir, se vale a pena ou não, fazer concessões em favor da vida.
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