domingo, 5 de março de 2017

Esquerda Caviar


          Esquerda Caviar é um livro lançado pelo jornalista Rodrigo Constantino. Rodrigo foi colunista da Veja, Época, o Globo, entre outros. Atualmente vive nos Estados Unidos, pois após a reeleição da presidente Dilma, entre outros motivos, decidiu experimentar como é viver em outro país, com uma cultura diferente da brasileira. É um dos fundadores do Instituto Millenium e foi presidente do Instituto Liberal. Formado em economia pela PUC/RJ e possui MBA pela Ibmec, Constantino é um blogueiro e colunista liberal, que não só escreve sobre economia, mas também sobre política, sendo um crítico ferrenho do modelo esquerdista tão popular na América Latina. Suas ideias podem ser conferidas aqui, aqui e no seu canal no Youtube aqui. Em sua página no Facebook e em seu Twitter ele costuma interagir bastante com outras pessoas no intuito de debater suas ideias sobre os assuntos citados acima. Como liberal, é defensor do livre mercado e de um Estado reduzido, onde o indivíduo tenha seus direitos respeitados e realmente possa decidir como administrar sua vida, sem tanta interferência do governo. Mas identifiquei que Rodrigo Constantino é mais conservador em algumas ideias do que liberal, por isso é alvo de muitos ataques de veículos como Carta Capital, pautada pelo PT, e do Brasil 247, que faz propaganda pró PT com um disfarce de jornal da web. Por conta de sua posição política bem definida, muitos esquerdistas odeiam Rodrigo Constantino, o que ele recebe como elogio. Sua iniciativa em se opor e refutar muito do que é escrito e falado, tanto na internet como nos veículos oficiais, acaba por incomodar muitos jornalistas e políticos, mas deixa claro seu posicionamento em relação a eles.
          Ao falar do livro "Esquerda Caviar" em si, tenho elogios e críticas, porém o livro cumpre perfeitamente seu objetivo que é mostrar como muitos personagens, que se dizem de esquerda e defensores dos interesses dos pobres e das minorias injustiçadas, são canalhas mentirosos que gozam de todo o luxo do capitalismo que juram atacar. Isso é notório por si só, mas ver um montante significativo de narrativas com inúmeros exemplos, escancara de forma até obscena esse fenômeno tão comum entre algumas classes. Eu não concordo com muitas coisas que estão no livro. Há certas generalizações que me incomodam como as críticas á culturas muçulmanas, embora certas práticas sejam inaceitáveis. Também não gosto de comparar oriente e ocidente culturalmente, pois não tenho grande intimidade com certos hábitos, mas vou condenar o terrorismo e iniciativas radicais, pois não fazem mal só aos habitantes de certos países, isso tem se espalhado pelo mundo. Mas este é o estilo de Rodrigo Constantino escrever, agressivo, direto e cheio de exemplos bibliográficos para consulta, que chegam a sobrecarregar as pesquisas sobre os temas, mas demonstra que o autor pesquisou e estudou muito antes de escrever. Este é um dos critérios que costumo pesar na hora de formar um conceito sobre uma obra, a quantidade de referências para comprovar o que está se afirmando, não um simples relato pessoal e egoísta baseado em "achismos" infundados. Isso está presente de forma constante neste livro, inclusive há uma grande lista de referências bibliográficas no final da obra. Isso dá a possibilidade de se ampliar o estudo, caso o leitor se interesse em se aprofundar no assunto. Sinceramente, eu esperava uma narrativa mais bem-humorada, até é em alguns momentos, mas muito do texto é trágico e realmente não tem graça.
          O livro está organizado em três partes:   
          Parte 1 - As origens, Duplipensar e O viés da imprensa. Nesse início o autor fala das origens do pensamento esquerdista e dos movimentos que foram desencadeando governos e pensadores do socialismo e do comunismo. Quando fala de duplipensar, refere-se a forma sempre usada por esquerdistas em sua estratégia de chegar ao poder através de sua mensagem amplamente divulgada e suas iniciativas bélicas ou políticas. Aqui no Brasil podemos comparar ao governo do PT, onde a grande imprensa, como a rede Globo, fazia algumas reportagens atacando o governo, aparentemente. Por sua vez os membros do governo rebatiam alegando perseguição politica, mas na verdade era um jogo de aparências, pois algumas empresas que patrocinam a imprensa são as mesmos que recebem tratamento especial do governo. Aliás, a grande imprensa normalmente é aliada dos governos, de todos eles. Isso se comprovou no Natal de 2016, onde Lula fez uma campanha na internet para arrecadar dinheiro em prol de sua defesa, já que é réu em cinco processos da Lava Jato. Nessa campanha, vários artistas da rede Globo e de outros veículos aparecem pedindo um Brasil justo para todos e pra Lula, sugerindo que todo o mar de lama que emergiu com a exposição da corrupção, não passam de perseguição politica. Eu falei a respeito aqui no meu canal no Youtube. Os artistas Globais, assim como a maioria de seus jornalistas, se enquadram no conceito de esquerda caviar, pois são famosos nacionalmente, ricos, recebem muito dinheiro de grandes empresas para fazer comerciais e defendem um governo socialista. No trecho do viés da imprensa, Rodrigo Constantino fala dessa quase que obrigação dos jornalistas defenderem governos esquerdistas. Não é segredo que dominar a imprensa, desde a formação dos jornalistas, é uma tática amplamente executada pela esquerda no Brasil, desde 1930. Se eventualmente houverem jornalistas mais conservadores ou liberais na grande mídia, possivelmente são vozes destoantes do todo editorial dos veículos de comunicação.
          Parte 2 - A obsessão antiamericana, O ódio a Israel, O culto ao multiculturalismo, Os pacifistas, O mito Che Guevara, A ilha dos sonhos, Os melancias, Justiça social, Sem preconceitos, As minorias e Juventude utópica. Essa é a parte mais extensa do livro e conta com diversos capítulos, onde os assuntos estão direcionados por tópicos específicos. Esse é o coração do livro, onde o autor discorre suas teses com centenas de exemplos ilustrativos. Pululam casos bem emblemáticos sobre as teses esquerdistas e as contradições de seus representantes. A obsessão antiamericana é pontual, pois representa um marco muito relevante para o discurso esquerdista e revolucionário. Os esquerdistas costumam falar mal do imperialismo americano e denunciam embargos contra países prósperos como a Venezuela e Cuba. Acusam o Tio Sam de todos os males, mas adoram McDonalds, passar férias em Nova York, babar o ovo de veículos de imprensa americano, consumir seus filmes e tudo o mais que lhes convém. Neste montante de informações contidos nessa parte, há muita coisa que ofende a inteligência dos esquerdistas, que veem Cuba como o paraíso na terra, mas quando se auto exilaram na época da ditadura, por exemplo, Chico Buarque, entre outros perseguidos políticos, não foram para Cuba, foram para Itália, França e por aí vai. As bandeiras dos pacifistas que querem desarmar a população para que não haja como os cidadãos se defenderem, acusam motivos de alguns e defendem de forma ferrenha o de outros, de acordo com os interesses ideológicos. Os ativistas ambientais que formam ONGs para proporcionar-lhes vidas de ricos com o financiamento alheio, alegando preocupação com o clima, os animais e as florestas, afinal, nada mais "bonzinho" do que defender essas bandeiras. 
          Parte 3 - Os ícones. Nesta parte final do livro, Rodrigo fala daqueles famosos personagens que pregam justiça social, defesa das minorias, dos pobres, dos injustiçados, mas que são pessoas extremamente ricas, que quase nunca passaram por dificuldades financeiras, mas que se dizem grandes defensores das classes mais baixas, porém, vivem em mansões, com carros de luxo, jatos particulares, recebem caches milionários, como os atores de Hollywood, arrecadam muito dinheiro alheio para entregar a governos totalitários e ONGs de fachada. Esses são os clássicos representantes da esquerda caviar. Vale a pena a leitura desta parte em particular, pois está exposto aqui todo o jogo de cena destes milionários anti capitalistas. Para quem leva a sério as teses esquerdistas e ainda assim faz vistas grossas para a hipocrisia que move os ícones da esquerda caviar, aconselho que pense em uma forma de refutar o conteúdo deste livro, pois ele representa artilharia pesada contra as bases de seu discurso. Entretanto, deixo claro que não criticarei a obra de alguns destes personagens, pois há de se separar o trabalho do caráter ideológico da pessoa. Há sim muitos esquerdistas inteligentes e talentosos, porém, uma coisa é admirar a obra, outra é ter a pessoa como referência. Esse é o limite que separa a admiração de um trabalho do fanatismo. Normalmente atores e artistas em geral, vivem numa bolha onde a realidade é bem diferente do que a vida das maiorias das pessoas. Mesmo quando viajam para países pobres para fazer lobby, tem uma residencia enorme e luxuosa esperando por eles quando voltarem, enquanto países como Somália, Etiópia, Sudão, entre outros, expõem os seus cidadãos a miséria o tempo todo. Não adianta fazer propaganda do grande legado espiritual e cultural de um povo onde os cidadão morrem de fome e não contam com o mínimo para viver com dignidade. Chega a ser ofensivo ver um astro de Hollywood ou um músico podre de rico passeando cercados de seguranças e equipes de áudio e vídeos registrando suas bondades mundo a fora. Normalmente essas pessoas defendem ditaduras e lideres totalitários.
          Embora não concorde com muitas ideias liberais, já falei a respeito aqui, achei interessante este livro, pois dá mais subsídios contra todo esse teatro que domina o mundo politico e acaba se confundindo com o lado cultural, jornalistico e até cientifico de parte das elites internacionais. Pessoas como Rodrigo Constantino são vozes quase que isoladas, mas que causam um grande mal estar na imprensa e no meio político. Enquanto os esquerdistas bradam em alto e bom tom seus anseios e suas criticas, conservadores e liberais ficam acoados, achando que basta refutar teorias esquerdistas em pequenos espaços para justificar suas existências. Neste quesito os esquerdistas são muito mais corajosos, pois colocam movimentos nas ruas, fazem propaganda, financiam blogs e veículos de comunicação, investem em disseminar suas teorias dentro das faculdades e escolas, sindicatos e no meio cultural, enquanto seus adversários são vozes isoladas que pouco se esforçam para serem ouvidas. Somente agora com a editora Record em alta e investindo nessa diversidade ideológica é que livros com viés mais conservadores e liberais estão atingindo maior número de leitores, no mais, até as pessoas com maior capacidade intelectual estão atoladas no lodo da literatura esquerdista como Gramsci, Marx, Rousseau, Hegel, Engels, filósofos da escola de Frankfurt e da New Left, sem sequer conhecer seus oponentes como Burk, Tocqueville, Hayek, Mises, Kirk e por ai vai. Há sempre a tendência de se masturbar com a literatura com a qual se identificam ideologicamente e ignorar o outro lado. Por esse motivo a argumentação esquerdista soa tão velha e repetitiva para liberais e conservadores, entretanto, como é a voz mais alta e pungente, é a que normalmente é ouvida. Há de se ter a coragem de dizer que sucesso não é crime, meritocracia não é trapaça e que não é preciso se aliar a movimentos revolucionários e nem se filiar a um partido para ser do bem e ao mesmo tempo acumular riquezas com trabalho e talento. Os ricos são criticados por acumular riquezas e fundarem empresas de sucesso, principalmente se forem honestos, mas políticos e artistas que enriquecem com mentiras e corrupção, são incensados e amados. Para um esquerdista, um rico só é do bem se financiar campanhas eleitorais e fazer parte de esquemas de corrupção.  
          Para finalizar essa postagem, gostaria de dizer que este livro, Esquerda Caviar de Rodrigo Constantino, é um ataque direto, principalmente ao politicamente correto, não só o brasileiro, mas principalmente o internacional. Embora não concorde com algumas coisas, como falei anteriormente, considero uma obra bem significativa de oposição a todo um estabilismo intelectual e cultural. Mesmo para aqueles que odeiam o autor, mas que tenham a coragem de ler o livro para contrapor tudo que está escrito nele, é interessante pesar bem as argumentações expostas aqui e com grande quantidade de referências externas. A obra é provocativa e polêmica, pois Constantino bate de frente com ícones como John Lennon, Gandhi, Sting, Angelina Jolie, Ben Affleck, George Soros, Che Guevara, Fidel Castro, Michael Moore, Al Gore, família Clinton, Obama e os brasileiros Chico Buarque, Oscar Niemeyer, Luiz Fernando Veríssimo, Wagner Moura, Luciano Huck e outros. Em alguns momentos o livro se torna bem divertido, principalmente quando são expostas as contradições desse seleto grupo de socialistas e ativistas defensores dos pobres e injustiçados. Contudo a um lado trágico, que o real e cotidiano que as pessoas simples e trabalhadoras enfrentam todos os dias para que esse pessoal possa comer caviar e viajar o mundo com seus jatinhos e iates de luxo, ou desfrutar de paraísos particulares e debochar dos mais pobre se dizendo bonzinhos.
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