sexta-feira, 21 de abril de 2017

Conservadorismo segundo um brasileiro


          Entre tantos debates políticos onde entram expressões como esquerda X direita, socialismo, comunismo, liberalismo e conservadorismo, o que realmente se consolida são grupos distintos reunidos para debater ideias que eles concordam e falar mal da ideologia dos outros grupos. Quando uma pessoa se identifica com uma ideologia, logo se vê obrigada a se defender de diversas pechas que acabam caindo sobre ela por uma atitude viciosa, fruto do comportamento que falei acima. Isso é normal e corriqueiro nos dias de hoje, pois os assuntos relativos a politica são basicamente piadas prontas, basta acompanhar o incio da conversa para se ter a completa noção do que virá em seguida. O debate está acirrado em alguns aspectos, na verdade não há debate e sim troca de acusações, pois há uma ideia equivocada de uma direita ligada a ditadura militar, sendo esta a unica referência de quem não aceita qualquer posicionamento que não seja claramente identificado com a esquerda ideológica que impera no Brasil. Por outro lado as pessoas tem se identificado como liberais e conservadores, mais para afastar de si toda a carga negativa que os recentes escândalos de corrupção tem provocado e a crise politica e econômica que o país enfrenta. Sobre as crises éticas, morais e educacionais não há grande preocupação, pois não afetam diretamente o bolso das pessoas. A mesma coisa em relação a crise da segurança, só se torna realmente um incomodo quando acontece perto da gente. De resto a violência é mais relevante para ilustrar matérias de tele jornais ou capas de revista. Mas entendo que essa briga, que se mostra totalmente irracional, não traz benefícios claros para ninguém, apenas para aqueles que se servem do banquete principal, que é a ocupação de cargos políticos e a apropriação de dinheiro e bens materiais frutos de corrupção. Ficam dois lados se articulando, se caluniando, trocando ofensas e nada se resolve, nada se tira dessas discussões que seja aproveitável. Para o cidadão comum, e todos nós o somos em nossas necessidades do cotidiano, o importante é ter uma forma digna de se manter perspectivas favoráveis de subsistência, afinal, ninguém consegue desfrutar de uma vida digna num ambiente corrupto e nocivo como está nosso país. Temos uma situação em que beira os 70.000 homicídios por ano, o péssimo rendimento escolar, desemprego e os altos níveis de corrupção que agem diretamente sobre estes aspectos. Isso interfere diretamente no sistema de saúde, nas condições de habitação, na convivência entre as pessoas e no desprestígio do brasileiro, tanto internamente como internacionalmente.
          Eu me identifiquei como um conservador, quando abandonei os discursos prontos e comecei a ver o mundo de dentro da minha casa para fora e não o contrário. Definindo bases que realmente fossem importantes para que as pessoas que dependem de mim tivessem uma vida mais digna. Claro que ter contato com conceitos de intelectuais de onde há realmente o conservadorismo ajudou a organizar as ideias e agregar argumentos nessa direção, mas ser conservador vai de encontro ao conceito de vida adotado e não à uma ideologia politica. Há uma tendência bem forte em se atacar um espantalho conservador inventado por socialistas/comunistas e endossado por radicais de direita, que existem apenas para antagonismo para com esquerdistas. Como fui criado de acordo com a doutrina cristã, sigo estes conceitos ao lidar com minha esposa e educar meus filhos. Não pertencemos a nenhuma espécie de igreja e nem frequentamos cultos ou missas, mas cultivamos pequenos hábitos, fazemos nossas refeições juntos e conversamos sobre nossos assuntos durante estes momentos. Só se come quando todos estão servidos e sentados a mesa. Não há diferenciação de cardápio, salvo em raros casos de enfermidade. Respeito minha esposa e ambos exigimos respeito como chefes de família por parte das crianças. Quando há uma discussão entre os filhos, todos são chamados para esclarecer as divergências. Dividimos a responsabilidade sobre a manutenção do lar como sendo nosso refúgio e fortaleza. Temos leis próprias que servem para garantir o direito de cada um e a preservação do coletivo. Só são bem vindas em nossa casa, pessoas aceitas por todos e que respeitem a todos. Entendo que o homem que abre as portas de sua casa a qualquer um, indiscriminadamente, não é gentil e hospitaleiro, não passa de um irresponsável, pois coloca seu patrimônio e a vida de seus familiares em risco. Aquele que sabe definir limites ao receber desconhecidos ao portão, não é um mal educado preconceituoso, mas um zeloso defensor daquilo que possui e representa. Sobre minha responsabilidade pesam os atos de meus filhos e eu os assumo enquanto são imaturos e incapazes de distinguir de forma clara o certo e o errado, mas os puno no rigor que o delito exige para que não se repita e eles aprendam com os próprios erros. Cabe a mim manter a solidez do lar levando para casa, com o fruto do meu trabalho, o necessário para garantir nosso sustento e agir com retidão frente à família para dar o exemplo, tentando administrar nossos recursos de forma racional e que não tragam prejuízos para todos. Não sou um aventureiro que se utiliza do poder de endividamento para financiar superficialidades ou luxos que não condizem com nosso padrão sustentável de vida.
          Recebi uma herança que não era financeira, mas material e intelectual, portanto me sinto na obrigação de respeitá-la, aprimorá-la e passa-la adiante, para os meu filhos e quem vier a pertencer a minha família ou ciclo intimo de amigos. Cresci em meio a árvores frutíferas e a proteção de uma família amorosa e humilde, quando uma propriedade era um investimento de uma vida e era bem maior fisicamente do que um cantinho apertado entre uma dezena de casas ou um apartamento em um prédio. Onde conviver com animais domésticos e a terra era algo rotineiro. Recebi como herança a retidão de caráter e a noção do meu correto lugar no mundo, mesmo não tendo agido dessa forma em muitas situação ao longo da minha vida. Sofri quando meus tios venderam a propriedade em que cresci e deterioraram o patrimônio de uma vida, construído pelo meu avô com seu trabalho humilde e mal remunerado. Isso foi fruto da ganância individual, da evocação de direitos sem o devido cumprimento dos deveres. Não se tratou de receberem um montante financeiro que fizesse diferença, foi unica e exclusivamente por mesquinharia baixa e irracional. Os herdeiros de meu avô, em sua maioria, desconsideraram o valor agregado durante meio século para trocar por um montante de dinheiro que se diluiria em poucos meses. Vi neste episódio o que representa as lembranças de refeições em família, o valor agregado de uma mesa, de uma parede, de um porta-retratos e de um passado, num contexto comum à todos. Objetos são apenas objetos quando deslocados do ambiente que lhes atribui valor, por isso é difícil de por preço na estima pessoal ou familiar. Temos que respeitar o que existiu antes de nós e nos foi passado quando nascemos e não considerar um fardo ou um peso a ser carregado quando as situações mudam, como fazemos com os nossos idosos ao colocarmos eles em asilos e nos apropriarmos de seu patrimônio. Sei como é a sensação de adquirir uma propriedade e construir um lar com as próprias mãos de acordo com os recursos disponíveis e o quanto dói ter que se desfazer dele por motivos alheios a vontade. Sei como é ser pai e assumir a responsabilidade de instruir uma criança conforme certos padrões de conduta, para que ela possa gozar da liberdade no futuro, mas sem esquecer de suas obrigações e limitações. Estes padrões me foram passados, límpidos, justos, honestos e por isso, muito valorosos. Estes são valores a serem preservados e a base do conservadorismo, receber algo e agregar valor a ele. Quando temos essa noção, passamos a enxergar o mundo de outra forma, não com a ingenuidade dos que possuem boa fé, mas com a justiça de quem representa algo maior que a si mesmo. Triste daqueles que não tiveram bons pais que os acolhessem, mesmo que estes não fossem biológicos, pois perderam atributos muito importantes que só poderão conhecer na teoria caso não construam seu próprio patrimônio familiar. Maldito o pai e a mãe, que por egoísmo, viram as costas para os filhos quando estes estão indefesos, que julgam a paternidade como um fardo, pois ela é apenas a vida se renovando através dos indivíduos. Infelizes são os casais que não cultivam o respeito, o amor e a boa convivência dentro do lar, mesmo que a tolerância, o perdão e a resignação sejam as únicas ferramentas eficazes em alguns casos. Maldito o filho que vira as costas para pais amorosos e age guiado pelo desgosto que causa a eles. A rebeldia é uma fase da imaturidade, mas quando se torna permanente é um sintoma de ingratidão, um dos maiores defeitos do ser humano.
          Ninguém merece respeito por simplesmente estar ocupando um posto ou ostentar um cargo. Lidar com hierarquias é um dos problemas mais delicados no cotidiano, pois muitas vezes estamos fadados a conviver com ineptos e rancorosos em hierarquias superiores. Um homem tem que honrar o uniforme que enverga e proceder com correção onde está lotado. Ninguém pode ser respeitado sem ter merecido tal mérito, mas ainda há um respeito à símbolos e cargos. Quem sabe agir com o devido respeito, mesmo ao lidar com um crápula, é um exemplo de pessoa que merece ser respeitada. O mérito deve ser o fator decisivo em todos os quesitos e buscar o mérito é a unica justificativa que pode conferir ao individuo algum reconhecimento. mesmo assim, convivemos com regras e leis, que mesmo não sendo justas ou racionais, representam a convivência do coletivo, por isso devem ser observadas. Não é digno quem rouba, mente e trai, não importa o quanto queira relativizar a moral ou a ética, o caráter não é sensível a criticas relativistas, mas sim ao correto crivo da dignidade. Ao homem não é lícito agir contra qualquer lei, mas também não pode agir de má fé amparado por alguma delas. O homem que vê na lei injustiça deve lutar para corrigi-la, o que se apoia na lei para objetivos mesquinhos deve ser punido por uma lei superior. Um corrupto deve ser tratado com desprezo pelo homem de bem, mesmo sendo ele um nobre ou ente querido, assim como uma pessoa de bem deve ser tratada com o devido respeito, mesmo que seja um humilde ser vivente. Quem se alia a corruptos e malfeitores deve ser da mesma forma julgado, mesmo que prove sua honestidade, o vínculo o torna um suspeito em potencial. Aos primeiros é merecido o castigo, a destituição e o exílio da sociedade. Para o segundo deve haver, no minimo, um voto de confiança, mas não sem antes pesar sobre ele o olhar da desconfiança. Ao avaliar outro ser humano, o justo despe-se de preconceitos, mas arma-se com essa desconfiança e a educação que o permita avaliar tal estranho de forma justa. Assim se comporta um conservador ao lidar com as situações do cotidiano. Os limites podem variar, assim como a cultura de cada um, afinal somos cristãos, espiritas, exotéricos ou simplesmente ateus. Somos brancos, pretos, mulatos, índios, loiros, ruivos, cafuzos, caboclos e amarelos. Somos latinos, hispânicos, europeus, orientais, norte americanos ou imigrantes de qualquer lugar, mas acima de tudo, somos gente e merecemos o reconhecimento por nossos méritos. Quem ostenta suas origens sem desrespeitar o chão em que pisa e os costumes locais, é digno de livre convivência e merecedor de hospitalidade.
          Guardados leves desvios de caráter, vícios, burrice, idiotice, letargia e trapalhadas grosseiras, nossa culpa é perdoável, mas nosso dolo não é algo a ser digno de pleito por perdão. A vida em qualquer estágio é sempre o maior bem e deve ser protegida a qualquer custo, o que torna muitas ideias e debates plenamente descartáveis. Assim como as particularidades das pessoas e dos lugares que devem ser analisadas criteriosamente e respeitadas. Não se pode ofender uma religião, uma cultura, um costume ou uma opção para fazer valer alguma motivação pessoal, mesmo que atenda ao interesse de um grupo que compartilhe dessa motivação. Saber definir limites e agir conforme princípios justos é a unica opção viável para qualquer indivíduo que deseje uma existência justa e busca trilhar um caminho correto. Há um alto grau de cafonice em ser conservador e respirar a nostalgia característica as motivações de um conservador, mas nem tudo que soa moderno e inovador é justo ou totalmente lícito antes de uma analise criteriosa. Assim sendo, muitos conservadores caem na emboscada de se tornarem teimosos e irredutíveis aos fatos e a novas ideias, o que caracteriza os broncos e os totalitários, não os homens de valores definidos. Porém, os valores que norteiam as bases do conservadorismo são sólidos e racionais, pois são revistos e aprimorados por cada um que os recebe. este dinamismo diferencia o individuo dos exemplos supracitados. Assim se dá a renovação de um jeito de ser, de uma tradição variável em seus moldes definitivos, mas rígida e inalterável em sua essência. Como toda filosofia de vida, o conservadorismo deve ser debatido, exposto a todo o tipo de analise e criticas, para só assim justificar-se ou ser rechaçado por completo.
          O conservadorismo confronta-se com o liberalismo em alguns pontos específicos, como a legalização do aborto. Um liberal defende a liberdade da mulher em querer ou não gerar aquela vida, outros liberais até questionam a liberdade daquela nova vida. Em um debate de quem tem a liberdade de fazer o quê, o conservador rechaça totalmente a interrupção de uma vida e ignora o debate de liberdades. É um dos casos em que as discussões são inúteis por atentarem contra um princípio essencial, o respeito a vida. O próprio acordo de São José na Costa Rica, e respaldado pela sociedade brasileira, prega exatamente este princípio. Um liberal vê o indivíduo como um ser sem vínculo e totalmente alheio a limites de território, costumes e até legislação. O conservador presa pela liberdade econômica, mas zela por um patrimônio cultural e preserva suas raízes. Dada as liberdades individuais, o cidadão ainda é parte de uma comunidade ou contexto pelo qual deve responder e defender. O liberal prega um Estado quase que inexistente e tudo privatizado de acordo com as leis de mercado. O conservador zela por instituições sérias, justas e sustentáveis que o represente e que mantenha o senso civil e nacionalista, atendendo os interesses e garantindo os direitos de cada cidadão. Portanto, a segurança, a saúde, a legislação e o vinculo colaborativo entre as instituições representativas e o individuo devem existir de forma racional. A liberdade de mercado é vista com diferenciação sistêmica entre estes e aqueles. Para o conservador há a necessidade de um crescimento da industria nacional e a evolução tecnológica, dando know how ao sistema produtivo que o possibilite libertar-se da influência direta estrangeira. Já os liberais pregam a plena abertura de mercado sem o mesmo compromisso com o legado deixado pela exploração estrangeira. O liberal acredita unica e exclusivamente no ganho individual e pouco considera fatores mais ligados ao caráter e a cultura coletiva. Esse pensamento faz com que ele não cultive restrições ao uso de drogas, pois o conjunto social não lhe atrai a atenção, ele o vê como um imenso mercado potencial. O conservador já vê nessa prática um fator sério de risco ao individuo, pois a degeneração social é prejudicial a ele próprio. Como não há um sistema produtivo de drogas que esteja legalizado, o mercado é monopólio do crime organizado. Legalizar essa prática estará autorizando as atividades de grupos estruturados que se utilizam dos mais condenáveis recursos em seus empreendimentos. Nisso liberais e esquerdistas costumam agir da mesma forma. Se apegam ao mundo teórico, o organizam e depois tentam trazê-lo para a realidade sem medir os riscos deste empreendimento. Nessa tarefa eles tem que argumentar e relativar várias coisas para que seu mundinho utópico não caia em contradição, pois quem confronta certas teorias com a realidade, acaba percebendo que não passam de ufanismos, deslocados do senso prático. 
          O conservadorismo se manifesta avesso ao socialismo/comunismo por estes basearem suas ações em interesses de grupos específicos e lançarem mão de narrativas fantasiosas para poder embasar suas teorias. Cria-se entidades que ignoram os valores individuais em favor do coletivo, mas que no fundo, atendem aos interesses de uns poucos escolhidos. O mérito acaba sendo um elemento de distorção e não uma meta a ser atendida, pois para que os objetivos dos verdadeiros interessados sejam atingidos, tem de haver o consentimento daqueles que serão a base do processo. Historicamente foram utilizadas táticas de sugestão quase que hipnóticas em busca de tal aprovação. Por mais boas intenções que o senso coletivista pode ter em algum momento, sempre barra na sua superficialidade, na aposta em um sentimento imaginário que tentam inserir artificialmente. Enquanto o conservadorismo vê na união uma forma de manter certo resguardo individual, os socialistas ou comunistas veem no coletivo um fim em si e não um meio para se alcançar um objetivo. No conceito destes, a família é mera referência e pouco importa para o coletivo, enquanto que para um conservador sua família é o bem mais valioso. O socialismo/comunismo dá direitos ilimitados aos indivíduos enquanto agem em nome da revolução, mas o conservador sabe que há limites que não podem ser ultrapassados. Os comunistas/socialistas relativizam tudo conforme seus interesses, já o conservador tem bases sólidas e age de acordo com elas. Sem uma manobra de retórica, recheada de conceitos distorcidos, narrativas mentirosas e apelos a entidades fictícias, nenhum movimento convence indivíduos de que um guerrilheiro é um herói, de que um invasor é uma pessoa de bem reivindicando seus direitos. As estratégias para minar as bases do conservadorismo, único fator de resistência a dominação total, agem para diluir a família, os conceitos de posse, da auto defesa, da ascensão meritosa, da vivência plena e real. Tudo que possa ajudar a pessoa a se manter imune a tais revoluções, são alvos a serem atacados como a religião, a cultura e o real senso de liberdade. Em substituição a isso eles oferecem gratuidades, liberdade sexual como o aborto, proteção do Estado, movimentos sindicais e sociais. Só não explicam ao cidadão que com isso haverá um progressivo aumento de impostos, queda na qualidade de serviços de saúde, educação, habitação e segurança, parceria com criminosos, fragmentação da sociedade em grupos raivosos, entre outros efeitos colaterais que ilustram a história. Para isso a verdade deve ser maquiada aos poucos até se tornar uma narrativa mentirosa e sem importância.
          Enquanto estes seguimentos ideológicos lutam entre si, muitas vezes obrigando as pessoas a utilizarem os recursos mais baixos em prol da sobrevivência deles, quem argumenta que toda ideologia é burra acaba se cobrindo de razão. Nada pode atrofiar mais a intelectualidade do que debater com pessoas que compartilham dos mesmos pensamentos e muitos destes movimentos querem exatamente isso, vender uma ideologia com uma série de receitas de bolo que não podem ser contrariadas com o risco de contrariar os grupos. As pessoas preferem ter um milhão de exemplos que apoiem seus argumentos, mesmo que sejam exemplos mentirosos, do que confrontar seu ponto de vista com pessoas que pensem diferente. Colocar em prática algum projeto realmente efetivo contra algum mal, passa longe da atividade política e intelectual da atualidade. Quando se aprimorou a retórica para facilitar a comunicação e se aprofundar o debate, criou-se muitas técnicas de persuasão, neurolinguística e desinformação para o convencimento massivo, mesmo que não haja embasamento racional. Tudo que se observa no debate político e nas propagandas comerciais, não passa de joguinhos de convencimento que buscam números, sejam votos ou consumidores para sustentarem tais empreendedores. A simples argumentação concisa que apresente um sólida síntese sobre qualquer assunto é a ultima opção num debate, pois obriga uma analise racional e uma abordagem direta aos fatos, o que acaba deixando o locutor exposto a vulnerabilidade de suas teses. É mais fácil sair no tapa e gritar palavrões do que se ater a um discurso rico e que traga benefícios para ambos os lados. É mais fácil encontrar racionalidade assistindo uma luta de box ou MMA do que presenciar um debate politico ou o discurso de um vendedor. Para facilitar ainda mais a absorção de discursos vazios, cheios de floreios e promessas lúdicas, mas que na verdade não passam de meras estratégias de dominação. Idiotizou-se a população através de leis coercitivas, aparelhamento do Estado, isolamentos das vozes dissonantes, reescrita da história e contra partidas irrelevantes e temporárias. Tal empreitada deu tão certo que somente agora reaparecem alguns defensores de ideais conservadores, tímidos e confusos em meio a um mar de corrupção e campanhas de desinformação que abrangem todos os seguimentos da sociedade. O fruto mais visível é a fiel devoção ao politicamente correto, que é o guia da imbecilização geral e sistêmica do ser humano.
          Para dar fim a mais um texto longo e tedioso, deixo o fator mais importante de todo este escrito. Quero alertar os conservadores brasileiros que, por mais que figuras como Ronald Reagan e Margareth Tatcher tenham sido símbolos do conservadorismo em seus países por elevarem a auto estima destes grupos e favor dos interesses nacionais que representavam, eles nada tem a ver com os brasileiros. Assim como é importante estudar o material escrito por escritores de lugares onde o conservadorismo é forte e presente para se ter uma ideia dos princípios que se baseiam (falo de um exemplo aqui), é muito mais importante entender como o Brasil foi formado, como sua história verdadeira apresenta os fatos. Sequer podemos atribuir o cristianismo como unica base religiosa, pois somos o resultado do somatório de negros vindos da África, indígenas anteriores à chegada dos europeus, imigrantes de todas as partes do mundo, ou seja, um amontoado de diversos aspectos culturais e religiosos que constituem a base de nossa civilização. Para se conservar de forma justa este legado tão complexo e rico, temos que tentar entender nossas raízes e toda a matéria prima que constituí nossa nacionalidade. Se abraçarmos as mesmas ideias e utilizarmos os mesmos métodos que caracterizam o conservadorismo lá fora, não seremos conservadores, e sim, outra coisa como comunistas e socialistas buscam implantar aqui e tem obtido sucesso. Conservar as bases que constituem uma nação como a nossa, comum á todas pessoas do Oiapoque ao Chui é muito mais complexo do que simplesmente defender bandeiras de oposição ao esquerdismos. Não quero vestir um terno ajustado por outra pessoa, que envergar algo que me represente, mesmo que seja medíocre ou cafona. Me interessa conhecer D. Pedro I, José Bonifácio, José de Anchieta, D. João VI, entre outros tantos, e falo disso aqui por exemplo, do que ficar me apropriando de discursos britânicos ou norte-americanos para ser um simples antagonista aos comunas. Vídeo complementar no meu canal do Youtube:

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