sábado, 13 de maio de 2017

Bruce Dickinson - Os altos vôos com o Iron Maiden. E o vôo solo de um dos maiores músicos do Heavy Metal

          Eu adoro Iron Maiden e essa foi uma das primeiras bandas que realmente ouvi com atenção. Ao longo de sua discografia é possível entender muito do que aconteceu no Heavy Metal mundial desde 1980, pois o Maiden conseguiu, algumas vezes de forma polêmica, inserir aspectos externos ao seu estilo original para evoluir como banda e se atualizar. Um dos grandes alicerces da banda, sem duvida alguma, é seu carismático vocalista Bruce Dickinson. Mesmo que a banda já tivesse uma base de fãs antes da entrada dele, foi após Bruce assumir a voz do Iron Maiden que a banda realmente estourou mundialmente e se tornou a referência que é hoje. Contudo, essa biografia escrita por Joe Shooman, peca em sua construção ou planejamento, ao menos foi o que senti ao lê-la calmamente, ouvindo os álbuns da banda e da carreira solo de Bruce. Mais parece uma grande matéria de revista de Rock do que uma história de um homem em particular. Em muitos momentos, Joe mergulha no ponto de vista meramente de fã e esquece de relatar o homem por trás da história. Isso é muito cansativo em alguns momentos. O escritor optou por fazer uma narrativa épica do que se ater em fatos humanos e corriqueiros e apenas interpretá-los para construir a narrativa. Confesso que achei um tipo de publicação chapa branca, mesmo sabendo que Bruce, assim como seus companheiros de Iron Maiden, mostre-se uma pessoa correta e avessa a polêmicas. Contudo, mesmo com o olhar maravilhado do narrador, a história contada tem muitos indícios de ser verdadeira e bate com a imagem concreta de Bruce Dickinson que tem se mantido ao longo dos anos.

          Hiperativo e ousado, suas qualidades vocais já apareciam de forma virtuosa no Samson, banda em que gravou um bom álbum na fase inicial, o que levou-o a cantar no Iron Maiden. Mas o sr. Dickinson não era um mero paraquedista caindo no cenário do Rock. O mesmo tentara muitas experiências antes do Samson. Sua inspiração era Arthur Brown, por esse motivo, já tentava misturar aspectos teatrais as apresentações de suas bandas. Isso fez com que a banda passasse de uma imagem mais tradicional das outras bandas do NWOBHM, para algo mais teatral e grandioso. Mesmo adorando os álbuns com Paul Di'Anno, The Number of the Beast é um salto imenso em qualidade, tanto nas composições como na interpretação vocal. Um cantor com pulmão de ferro e alcance potente. Uma voz única e bem trabalhada. Assim é o frontman da maior banda de Heavy Metal do mundo. As nuances das gravações dos álbuns e uma compilação imensa de depoimentos de pessoas que estavam inseridas no contexto dos episódios mais relevantes de sua carreira, estão documentadas aqui, mesmo que o tipo de narrativa não tenha me agradado tanto. Talvez essa impessoalidade não incomode os fãs, e não chegou a estragar a obra, mas deixou uma sensação de artificialidade no livro. Isso se justifica até certo ponto, afinal, Bruce Bruce, como era chamado no início de carreira, é um herói para muitos de seus fãs.

          Talvez Bruce Dickinson não seja apenas aquele personagem cativante fora dos palcos. Talvez ele seja apenas um homem bem educado e de grande sucesso em tudo que faz. Não só foi responsável por alçar sua banda ao topo do mundo, como teve uma carreira solo significativa, ainda fez parte de um time de esgrimistas ingleses, escreveu livros de comédia britânica e se tornou piloto de aeronaves. A importância de uma das vozes mais representativas do Heavy Metal, é notória mesmo em um livro de qualidade discutível como este. Portanto, enquanto não aparece uma autobiografia mais profunda e reveladora, vale a pena conhecer este livro, pois se trata de uma narrativa documental importante. Uma pessoa que têm diversas atividades tão diferentes quanto as citadas acima, induz a pensar que realmente se trata de um sujeito sério, focado, profissional, empreendedor e responsável por tudo aquilo que construiu. Muitos nomes do Rock se mostraram gênios em suas carreiras, mas pessoas totalmente perturbadas e sujeitas a todas as armadilhas dessa vida de excessos e muito descolada da realidade da grande maioria das pessoas. Já li relatos de bandas posteriores ao Iron Maiden, que ao invés de mergulhar na fama e aproveitar de forma desregrada tudo que ela oferece, preferiram o profissionalismo e a integridade dos britânicos da Donzela de Ferro.
          Minha opinião sobre Iron Maiden e Bruce Dickinson é um tanto peculiar, pois gosto muito dos álbuns Chemical Weeding e Acident of Birth da carreira solo de Bruce e não sou tão fã de Somewhere in Time e Piece of Mind, clássicos incontestáveis do Iron Maiden. Não que eu desconsidere estes dois álbuns, acho eles brilhantes, apenas ouço menos eles do que outros menos populares entre os fãs. Tenho um carinho especial por No Prayer for the Dying, primeiro álbum que eu tive da banda, e gosto do Virtual XI, já com Blaze Bailey, coisas meio contraditórias para muitos fãs da banda. Também desprezo quase por completo os álbuns Tatoo Milionare e Balls to Picasso, pois sempre comparei a voz do Iron com a carreira de Ronnie James
Dio, que deu ao mundo álbuns clássicos como Holy Diver e The Last in Line, já no inicio de sua carreira solo. Mas entendo que a intenção era se divertir tocando Rock n' Roll e se afastar da pressão do Iron Maiden, mesmo que isso fosse impossível para ele.
           Para encerrar este breve texto, que pode ter certo tom de ranso, afirmo que Bruce Dickinson está longe de ser aquele rock star espalhafatoso fora dos palcos e o Iron Maiden é uma banda focada exclusivamente na música e em sua imagem. Portanto, não sobre muito espaço para folclore de bastidores. Se para muitas bandas a tragetória reúne e muitos percalsos e incertezas, para o Iron Maiden e seus integrantes, mesmo que isso tenha ocorrido em igual numero, não chegou a ser relevante dentro da história da banda, pois desde que lançaram Iron Maiden no início da década de 1980, as mudanças que ocorreram na banda tiveram a repercusão proporcional á cada época e não atrapalharam a periodissidade nos lançamentos de álbuns e nem a frequência das turnês. Muito dessa tragetória está devidamente documentada neste livro. Claro que, aqueles que são fãs de longa data do Iron Maiden, já tem acesso as informações mais relevantes contidas aqui. Entretanto, é bom saborear a história brilhante de um dos maiores ícones da história da música mundial. Bruce Dickinson é um homem que atingiu todos os seus objetivos, muitos deles o fez com excelência, então tudo que se possa produzir, narrando essa história de sucesso, é bem vindo, e por si só, interessante.

Postar um comentário