terça-feira, 9 de maio de 2017

Iron Man

          Como guitarrista de Heavy Metal, mesmo que fracassado e despido de qualquer talento, tenho uma visão de fã para com os aspectos técnicos do estilo. A partir daí, considero os riffs de guitarra como sendo o primeiro requisito na hora de avaliar uma banda. Se uma banda conta com bons riffs de guitarra, já tem entre 40 e 50% da qualidade necessária para me agradar. Muitas pessoas podem filosofar a respeito de muitas coisas em relação a isso, inclusive especificamente sobre guitarra, mas pra mim, ter um bom riff é muito mais importante do que velocidade nos solos ou variedade de timbres. Então, é impossível não apreciar o senhor Toni Iommi, líder e principal compositor do Black Sabbath. Se sua importância para o cenário do Heavy Metal mundial já é enorme simplesmente por ele ser a alma dos pais do Heavy Metal, imagine o quanto isso se potencializa ao ser a principal influência para os guitarristas do estilo que vieram depois dele. Ele não só é o principal responsável pelo som característico da banda que inventou um estilo e quebrou paradigmas, como foi o elemento quase que solitário para que a banda não se diluísse por completo em alguns momentos.
          Quando se volta no tempo e se contempla uma Europa pós guerra, é comum pensarmos em baixos salários, escassez de empregos e incertezas(falei disso quando escrevi sobre a biografia do Ozzy). Tony Iommi passou por isso, mas logo cedo já despertou para música. Formou bandas e mal tinha saído da adolescência e já iria iniciar uma carreira exclusiva como músico. Entretanto, ao trabalhar no seu último dia em uma fábrica, teve parte de dois dedos da mão direita amputadas em uma prensa. Isso foi aterrador, mas forjou um homem mais forte e obstinado. Não desistiu de tocar e para isso improvisou próteses caseiras para aliviar a dor em seus dedos. ao contato com as cordas. Esse recuo estratégico fez com que Tony formasse o Black Sabbath e começasse do zero, ainda com outro nome e tocando versões de clássicos de blues. O sucesso já veio no primeiro álbum e o reconhecimento foi aumentando com as turnês e a cada disco lançado pela banda.
          Essa auto biografia do grande fundador do Heavy Metal, só não é mais épica por não abordar a carreira do homem até sua última turnê com o Black Sabbath, ainda lançariam mais um álbum e fariam duas turnês após o lançamento deste livro. Cada nuance que se ouve nos registros de estúdio é dissecada por quem esteve 100 % envolvido com tudo que a banda fez. Tony Iommi é o verdadeiro mentor de tudo que foi lançado sob o nome Black Sabbath, para o bem ou para o mal. Jamais abriu mão do nome da banda e nunca desistiu de manter sua criação na estrada. Difícil separar a vida particular do trabalho, já que Tony Iommi sempre foi obcecado pela música que fazia. Com isso, sua auto biografia gira em torno do cenário Heavy Metal o tempo todo. Conta em detalhes as ocorrências cercando as mudanças de formação, dramas particulares, momentos de incertezas, o alto consumo de cocaína, a relação com Ozzy, Dio, Cozy Powel, empresários e gravadores. Somada a biografia de Ozzy, temos um apanhado rico em informações sobre o Black Sabbath e como a banda passou do auge do sucesso, a decadência e o retorno triunfal.
           Grande obra histórica, uma leitura leve e divertida que remete o nome Black Sabbath, e a vida de seus integrantes, a um patamar diferente de todas as lendas que se popularizaram em torno da banda ao longo dos anos. Assim como a autobiografia de Ozzy, "Iron Man" é parte da história da música e a que tudo indica, tem muito de verdade e honestidade na narrativa. Em nenhum momento seu protagonista é descrito como um ser extraterrestre, mas como um trabalhador talentoso e dedicado que colheu os bons e os maus frutos de sua empreitada, conseguindo se manter vivo frente a todas as adversidades de uma vida de excessos com álcool e drogas. Muitos ficaram pelo caminho, mas Tony Iommi e o Black Sabbath conseguiram ter êxito até o final da carreira. Seus riffs vencerão o tempo e atravessarão muitas décadas ainda. Todo apreciador de Heavy Metal deve se curvar a este homem, pois ele merece.
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